Título: DÍVIDA INTERNA DEVE CHEGAR A R$1,1 TRI ESTE ANO
Autor: Ronaldo D'Ercole
Fonte: O Globo, 17/01/2006, Economia, p. 19
Cifra significaria aumento entre 15% e 22% em relação ao volume de R$979 bi estimado pelo Tesouro para 2005
SÃO PAULO. A dívida pública federal interna deve alcançar uma cifra entre R$1,13 trilhão e R$1,2 trilhão no fim deste ano, um aumento entre 15,4% e 22,6% em relação ao estoque de R$979 bilhões estimado pelo Tesouro Nacional para o fim de dezembro de 2005. Se considerada a dívida externa, o endividamento total do setor público poderá chegar a um patamar ainda mais elevado, entre R$1,28 trilhão e R$1,36 trilhão. Os dados fazem parte do Plano Anual de Financiamento (PAF), divulgado ontem pelo Tesouro.
Os vencimentos previstos para este ano, já incluídas as obrigações externas, somam R$481,5 bilhões, que, descontadas as dotações orçamentárias, no valor de R$62,1 bilhões, implicarão na necessidade de financiamento pelo governo de cerca de R$419,4 bilhões.
A estratégia do governo para financiar os vencimentos deste ano, de acordo com o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, será a mesma adotada em 2005: aumentar as emissões de papéis prefixados em volumes e prazos, sempre alongando os vencimentos, com a redução gradual da exposição em papéis pós-fixados atrelados à Selic (a taxa básica de juros, hoje em 18% ao ano) e ao câmbio.
Tesouro já dispõe de 80% dos vencimentos externos do ano
¿ O mercado está aceitando melhor o risco macroeconômico, há maior confiança nas políticas monetária e fiscal e isso ajuda a melhorar o perfil da dívida ¿ disse Levy.
O secretário do Tesouro destacou a evolução do equacionamento da dívida externa do governo. Dos vencimentos de US$12 bilhões dos compromissos externos deste ano, o Tesouro já dispõe em caixa de US$10,15 bilhões, mais de 80% das obrigações.
¿ Não há risco de problemas nos pagamentos externos em 2006, o que é importante para um ano eleitoral ¿ observou Levy.
Outro fator que traz ¿uma tranqüilidade expressiva¿ à gestão da dívida este ano, segundo o secretário, está na diminuição da exposição a títulos atrelados à Selic, que em janeiro de 2005 representavam 59,46% do estoque, caindo a estimados 51,8% em dezembro último.
¿ Isso é interessante, porque essa transformação foi feita com muita tranqüilidade, num período em que a Selic até subiu ¿ disse Levy.
Segundo ele, a participação dos títulos corrigidos pela Selic já teria caído a 49,24% este mês e, se a estratégia do ano passado for mantida, poderá recuar a 45%.
Prazo de títulos deve subir de 27,4 para até 35 meses
O plano do Tesouro prevê ainda que os papéis prefixados saiam da parcela de 27,9% do total em dezembro, para uma faixa entre 28% e 37% do estoque total. A dívida interna atrelada ao câmbio deve fechar o ano entre 1% e 3% do total.
Quanto ao alongamento dos vencimentos da dívida interna, a estratégia é elevar o prazo médio, que era de 27,4 meses em dezembro, para algo entre 30 e 35 meses até o fim do ano. Os números finais sobre o endividamento público em 2005 serão divulgados na próxima semana pelo Tesouro Nacional.