Título: LULA QUER UNIFICAR AS ÁREAS ECONÔMICA E SOCIAL
Autor: Cristiane Jungblut
Fonte: O Globo, 17/01/2006, Economia, p. 21

Em pronunciamento, presidente promete novos estímulos ao setor produtivo e consolidação de programas regionais

BRASÍLIA. Em um pronunciamento de quase dez minutos em cadeia nacional de rádio e televisão, inicialmente gravado para falar sobre o pagamento antecipado da dívida do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem a plataforma de seu governo para o ano eleitoral: o Plano Brasil Produtivo e Solidário, que unificará as áreas econômica e social.

Segundo o presidente, o plano será lançado nos próximos dias, com incentivos para a construção civil, a agricultura familiar e o microcrédito. Lula disse que o governo dará atenção especial à infra-estrutura, especialmente energia e transportes. E acrescentou que serão consolidados programas de desenvolvimento regional.

¿ Um governo que tem apenas o braço social não passa de um governo caridoso. Um governo que tiver apenas o braço econômico é pobre em valor humano. A ele faltaria a coisa mais importante: o coração ¿ disse o presidente.

O presidente disse que o plano terá ¿ações de estímulo ao setor produtivo e ao desenvolvimento econômico¿. Segundo ele, o novo plano vai reforçar as metas do governo: geração de emprego, melhoria da educação e combate à miséria. Lula admitiu que não são novos programas, mas disse que é preciso unir política econômica e política social.

Presidente: luz, telefone e aluguel não devem aumentar

Lula foi mais além em seu pronunciamento. Animado com os resultados dos índices de preços, especialmente do IGP-M, que corrige algumas tarifas públicas, o presidente chegou a prever que alguns serviços, como telefonia, luz e aluguel, não devem ficar mais caros em 2006. O presidente lembrou que a inflação medida pelo IGP-M em 2005 foi de 1,21%, a menor já registrada, mas se equivocou ao incluir o telefone como exemplo, uma vez que essa tarifa era, até o ano passado, corrigida pelo IGP-DI, passando para um índice setorial a partir de 2006.

¿ Isso significa que, em 2006, praticamente não vai haver aumento no seu aluguel, no seu telefone e na sua eletricidade ¿ afirmou.

Ele destacou que as medidas conjuntas para o setor produtivo ¿ de forma geral, a desoneração de impostos, segundo fontes da área econômica ¿ com benefícios para a área social só serão possíveis graças ao pagamento antecipado de US$15,5 bilhões ao FMI. As parcelas venceriam em 2006 e 2007. Lula garantiu que sobrará dinheiro no país para investimentos.

¿ O Brasil vai caminhar com suas próprias pernas ¿ disse o presidente da República.

Enfático, Lula disse que, ao contrário do que ocorria até recentemente, o Brasil não terá mais de prestar contas ao FMI. A partir de agora, disse o presidente, caberá ao Fundo prestar contas ao Brasil.

¿ Não somos mais devedores, e sim sócios soberanos ¿ disse ele, acrescentando que agora o país está menos vulnerável.

¿ Se houver uma crise financeira internacional, não vamos mais estar à beira da falência como em 1998, quando o país teve que reduzir investimentos, diminuir o emprego e mendigar ajuda mundo afora.