Título: CPI prende quase homônimo de Marcos Valério
Autor: Bernardo de la Peña e Maria Lima
Fonte: O Globo, 18/01/2006, O País, p. 9

Resposta irônica faz advogado Marcus Valerius de Macedo ser detido; relator pede cassação de Wanderval Santos

BRASÍLIA. Marcos Valério, operador do mensalão, continua livre, mas ontem a CPI dos Correios prendeu um quase homônimo seu. O advogado Marcus Valerius Pinto Pinheiro de Macedo, que prestou serviços à Skymaster, uma das investigadas pela CPI dos Correios, terminou seu depoimento detido em flagrante por desacato à autoridade, depois de sugerir que os parlamentares quebrassem o sigilo bancário de sua mãe.

O advogado, que teria entregue a um dos sócios da Skymaster, João Marcos Pozzeti, pelo menos R$1 milhão sacado em dinheiro no banco pelo segurança Francisco Carioca, já havia discutido com os deputados da CPI e, na opinião dos parlamentares, não levava o depoimento a sério. A Skymaster é investigada sob suspeita de superfaturar contratos de prestação de serviços com os Correios.

¿ Deveríamos quebrar o sigilo bancário da sua irmã e da sua esposa ¿ sugeriu o deputado Geraldo Thadeu (PPS-MG), um dos que acompanhavam o depoimento, irritado com a falta de respostas coerentes do advogado.

¿ Por que não quebra da mãe, então? ¿ respondeu Macedo, interrompendo Thadeu, antes mesmo de o deputado terminar de falar.

O sub-relator José Eduardo Cardozo (PT-SP), responsável pela análise dos contratos e que investiga a Skymaster, ameaçou o advogado de prisão. Thadeu, indignado, insistiu na prisão. O depoimento foi interrompido, o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), consultado, e Macedo acabou preso.

Ele foi levado pela polícia do Senado para um departamento onde passou algumas horas para a ocorrência ser registrada. Até 21h, o advogado não havia saído, mas teria apenas de assinar um termo de compromisso de que compareceria à Justiça para responder pelo crime de desacato, previsto no artigo 331 do Código de Processo Penal.

¿ O depoente foi reincidente e nos pôs em xeque. Tentou ridicularizar a autoridade da CPI ¿ afirmou Cardozo, ao anunciar a prisão do advogado.

Ontem, mais um parlamentar envolvido no valerioduto, o ex-bispo da Igreja Universal Wanderval Santos (PL-SP), teve o pedido de cassação do mandato apresentado ontem ao Conselho de Ética. O ex-bispo chorou e alegou inocência, mas o relator, deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), rejeitou o argumento de que os R$150 mil sacados pelo seu motorista, Célio Marques, foram entregues ao ex-bispo Carlos Rodrigues.

Um pedido de vista feito pelo deputado José Carlos Araújo (PL-BA) adiou para sexta-feira a votação do relatório.

¿ Não posso perder o meu mandato só porque meu processo será votado na frente ¿ disse Wanderval, aos prantos.

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