Título: CHINA E RÚSSIA DESAPROVAM SANÇÕES E PEDEM NEGOCIAÇÃO
Autor: José Meirelles Passos
Fonte: O Globo, 18/01/2006, O Mundo, p. 27
Governo de Teerã exorta Europa a retomar diálogo, mas Moscou e Londres reagem com desconfiança
MOSCOU. A China e a Rússia deixaram claro ontem que não aprovariam sanções ao Irã e exortaram a União Européia (UE) a voltar a negociar com o país, que retomou seu programa nuclear, contrariando a comunidade internacional. China e Pequim têm relações comerciais com Teerã, e as sanções atingiriam a indústria iraniana.
O Irã, por sua vez, também exortou ontem a UE a retomar as negociações sobre seu programa nuclear, mas recebeu um resposta fria tanto do Reino Unido quanto da Rússia. Uma autoridade britânica considerou vaga a oferta iraniana, feita numa carta de Javad Vaeedi, vice-presidente do Conselho de Segurança Nacional. Já o chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que primeiramente Teerã tem que interromper todas as atividades relacionadas ao enriquecimento de urânio.
As negociações da UE com o Irã ¿ a cargo de Reino Unido, França e Alemanha ¿ foram interrompidas semana passada, depois de o país reiniciar as pesquisas para enriquecimento de urânio, levantando suspeitas de que estaria tentando fabricar bombas atômicas. Para os EUA e seus aliados, é hora de levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, o que poderia resultar em sanções políticas e econômicas ao país. Mas o chanceler russo afirmou ontem:
¿ A questão das sanções põe o carro na frente dos bois. Sanções de modo algum são o melhor ou o único caminho para resolver o problema.
Confronto entre iraquianos e iranianos na fronteira
Argumentando contra as sanções, Lavrov disse ainda que o embargo da ONU ao Iraque não conseguiu mudar o comportamento de Saddam Hussein. Já Kong Quan, porta-voz do Ministério do Exterior chinês, afirmou que Pequim é favorável à diplomacia e pediu paciência e esforços nas negociações. A China responde por 12% da exportação de petróleo iraniano.
Autoridades iraquianas acusaram ontem forças iranianas de seqüestrarem nove guardas costeiros que patrulhavam a fronteira e exigiram sua libertação. O governador de Basra, Muhammad al-Waili, disse que militares iranianos atacaram os patrulheiros quando estes abordarem um navio que estaria contrabandeando petróleo. O Irã negou o incidente.