Título: CONTRA A GRIPE DE AVES, US$1,9 BI
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Fonte: O Globo, 19/01/2006, O Mundo, p. 30
Morre mais uma criança na Turquia com suspeita de ter contraído doença
PEQUIM. Doadores internacionais reunidos em Pequim se comprometeram ontem a destinar US$1,9 bilhão (R$4,3 bilhões) para o combate à gripe de aves que se dissemina no sudeste da Ásia e já matou pelo menos quatro pessoas na Turquia. Ontem, autoridades turcas confirmaram a morte de mais uma criança com suspeita de ter sido vítima da doença.
O valor prometido pelos doadores é superior à quantia estimada pelo Banco Mundial, de US$1,2 bilhão. Esse foi o maior esforço de arrecadação de fundos já realizado para combater um vírus. A Organização Mundial de Saúde (OMS) teme que o vírus H5N1 sofra uma mutação que o torne transmissível entre pessoas, deflagrando uma pandemia. Até hoje, todos os casos registrados em seres humanos foram causados pelo contato com aves doentes.
¿ Isso não é caridade. Não é apenas solidariedade. Isso é autodefesa ¿ justificou o comissário de Saúde da União Européia, Markos Kyprianou.
Do US$1,9 bilhão prometido, cerca de US$900 milhões serão em forma de empréstimos e o restante como doação.
¿ A quantia pedida é baixa se comparada ao custo de uma pandemia para qual ainda não estamos preparados ¿ afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, em um vídeo gravado especialmente para a conferência.
De fato, o Banco Mundial estima que uma pandemia que dure um ano poderia custar à economia global até US$800 bilhões.
O vírus H5N1, responsável pela gripe aviária, já matou pelo menos 79 pessoas em seis países do sudeste da Ásia e agora se espalha pela Turquia. Apesar dos esforços que vêm sendo feitos para impedir a disseminação do vírus ¿ que inclui o abate de milhões de aves e controle nas fronteiras dos países afetados ¿, a doença continua a se espalhar.
Os Estados Unidos prometeram cerca de US$334 milhões, afirmando em um comunicado que a maior parte do dinheiro será usada para doações e assistência técnica. O total prometido pela União Européia é cerca de US$260 milhões.
Do total prometido, de US$100 milhões e US$200 milhões vão para um fundo controlado pelo Banco Mundial. Parte do restante será administrada bilateralmente ¿ por doadores e instituições que precisem da verba.
O Banco Mundial está oferecendo ainda uma linha de crédito no valor de US$500 milhões. Para o presidente da entidade, Paul Wolfowitz, entretanto, mais recursos serão necessários urgentemente.
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