Título: PRESIDENTE DA EMBRAER CRÊ QUE EUA RETIRARÃO VETO À VENDA PARA VENEZUELA
Autor: Ronaldo D'Ercole e José Meirelles Passos
Fonte: O Globo, 21/01/2006, Economia, p. 18
Governo venezuelano pagaria à empresa US$200 milhões por 24 aviões
SÃO PAULO e WASHINGTON. O presidente da Embraer, Maurício Botelho, disse ontem que acredita na possibilidade de um entendimento que viabilize a venda de 24 aviões militares Super Tucano para a Venezuela, transação vetada pelo governo dos Estados Unidos. Como essas aeronaves têm tecnologia americana, os EUA podem exercer a proibição. A venda renderia à Embraer cerca de US$200 milhões.
¿ Eu acredito que haja uma evolução. E acredito fortemente porque o avião de que estamos falando não é um avião de agressão. É um avião de fazer valer a lei, voltado para missões contra o tráfico de drogas e de armas, basicamente ¿ disse Botelho.
A denúncia do veto à compra foi feita pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez. Segundo Botelho, a oposição dos americanos ao negócio não deve ser vista como um gesto contra a Embraer ou o Brasil.
¿ O problema é entre a Venezuela e os Estados Unidos ¿ disse o executivo.
Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse ontem que o governo dos EUA continua conversando com o do Brasil sobre a venda dos aviões, mas deixou transparecer que a aprovação americana é improvável:
¿ Alimentado pela arrecadação, resultado dos altos preços do petróleo, ele (Chávez) saiu à compra de equipamento militar. E se trata de uma compra exagerada para as necessidades de defesa da Venezuela, segundo a análise de muitos ¿ disse McCormack.
No fim do ano passado, a Embraer acertou a venda, por US$235 milhões, de 25 modelos Super Tucano ao governo da Colômbia, aliada dos EUA no combate ao tráfico de drogas na região.
Mudança para ampliar capacidade de investir
O presidente da Embraer disse ainda que o cancelamento do programa americano Aerial Commom Sensor (ACS), anunciado semana passada, não muda a estratégia da empresa de obter 20% de suas receitas anuais no mercado de defesa. Essa meta, disse, foi definida antes do lançamento do ACS, cujo cancelamento levou a Embraer a suspender a instalação de uma fábrica na Flórida.
¿ A meta não estava condicionada ao programa, mas à presença no mercado americano e em outras partes do mundo. E hoje nós estamos melhor percebidos no mercado americano do que antes do ACS ¿ afirmou.
Com relação ao projeto de reestruturação de capital da empresa, Botelho disse que a mudança tem por objetivo ampliar sua capacidade de financiar investimentos em novos projetos. Aprovada pelo Conselho de Administração, a proposta prevê a conversão das ações da empresa em ordinárias (com direito a voto) e será submetida à aprovação dos acionistas minoritários.
O executivo indicou que a empresa prepara novo aumento de capital.
¿ No futuro, achamos importante com essa perspectiva de captação ¿ disse, lembrando que a entrada no mercado de jatos corporativos exigirá investimentos maiores que os US$2,3 bilhões injetados pelos acionistas controladores (companhia Bozano, Previ e Sistel) nos últimos 11 anos.