Título: RUMO AO VALE-TUDO NAS ALIANÇAS
Autor: Ilimar Franco
Fonte: O Globo, 24/01/2006, O País, p. 3

Acordão na Câmara mobiliza deputados na tentativa de acabar com a verticalização

ACâmara se mobiliza amanhã para tentar aprovar emenda constitucional que acaba com a regra da verticalização. O movimento está sendo liderado por PMDB e PFL e tem o apoio de pequenos e médios partidos que gostariam de ter a liberdade de fazer coligações nos estados com partidos que serão adversários nas eleições presidenciais. Numa reunião na quinta-feira com parlamentares de PSB, PPS, PL, PCdoB, PV, PTB, PL, PP e PSDB foi feito levantamento preliminar que indica que o grupo teria 325 votos, 17 a mais do que os 308 necessários para aprovar mudanças na Constituição.

Fatias do PSDB e do PT continuam sendo obstáculos à aprovação da emenda, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que iria agir para atenuar a posição petista.

¿ Os líderes de diversos partidos se reuniram e chegaram à conclusão que dá para aprovar a emenda ¿ disse o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP).

Tasso promete ajuda dos tucanos

O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), prometeu, numa conversa por telefone na semana passada, que os tucanos ajudariam a aprovar a emenda com pelo menos 20 votos dos 53 da bancada na Câmara. A expectativa é de que dos 90 deputados petistas pelo menos dez desafiem a decisão da executiva, favorável à manutenção da verticalização, e votem para acabar com a norma instituída pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2002. Mas se o presidente Lula entrar em campo mesmo, como prometeu, há petistas que avaliam que até 40 deputados podem votar a favor de emenda.

Ontem, Lula tratou do tema com o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), favorável à emenda, pois considera que sua manutenção estreitará o arco de alianças com os partidos para apoiar a reeleição.

¿ Decidimos tentar votar esta semana porque as sessões da Câmara estão tendo quórum alto. Na semana passada foi de 490 deputados e sendo assim a probabilidade de vitória é maior ¿ afirmou o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ).

Hoje e amanhã, os líderes dos partidos contrários à verticalização vão fazer reuniões para que tenham segurança de que a emenda seja aprovada, caso votada. Para tentar rever a posição do PT, alguns aliados de Lula, como o PSB, estão ameaçando abertamente não apoiar a sua reeleição se a regra for mantida. Os petistas concordam, mas alguns admitem rever a posição para atender aos aliados.

O presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), também reconhece que não dá para se aliar com Lula mantida a verticalização e diz que em nove estados o partido já está construindo alianças com o PSDB e o PFL. Sendo assim, só pode apoiar a reeleição de Lula se tiver liberdade de alianças nos estados.

¿ O PSB quer apoiar o presidente Lula, mas com a verticalização a tendência do partido é garantir independência para fazer alianças nos estados ¿ disse o líder do partido, deputado Renato Casagrande (ES).

Partidos sofrem pressão dos estados

Os partidos decidiram tentar aprovar a emenda porque estão sendo pressionados nos estados. Os candidatos a governador querem saber o quanto antes que alianças poderão fazer. Eles também não acreditam que o TSE reveja posição adotada em 2002, mesmo porque o ministro do STF Marco Aurélio de Mello, favorável ao fim da verticalização, só assume o TSE em junho, prazo em que os partidos estarão aprovando os nomes de seus candidatos em convenções estaduais e nacionais.