Título: BAIXA NA SUÍÇA, ALTA NA VENEZUELA
Autor: Soraya Aggege
Fonte: O Globo, 24/01/2006, Economia, p. 25

Relegado a segundo plano no Fórum Econômico, Brasil será estrela do FSM

CARACAS. Se em Davos, no Fórum Econômico Mundial, China e Índia serão o centro dos debates, na Venezuela o Brasil será a estrela do Fórum Social Mundial (FSM). Do total de 2.200 atividades agendadas para o encontro a maior concentração é brasileira, com um total de 500 inserções na pauta de debates. Em segundo lugar está a própria Venezuela, com 400 inserções, seguida da Colômbia, com 200, e Estados Unidos, com cem. Argentina, França e os mais de 50 países que participarão do encontro em Caracas dividem o restante das ações do FSM.

¿ Os brasileiros tomaram gosto pelo Fórum Social Mundial. Essa grande participação mostra também que o Fórum Social Brasileiro, que será realizado em abril, em Recife, terá grande participação ¿ disse o empresário Oded Grajew, ex-assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um dos brasileiros que fundaram o FSM, há seis anos, em Porto Alegre.

O próprio governo brasileiro foi convidado para um total de 30 mesas de debates no fórum de Caracas. Hoje, numa das áreas de destaque do encontro, será aberto o Espaço Brasil.

Governo fará propaganda do Fome Zero

O governo Lula fará propaganda durante o encontro em Caracas, apesar de ser um provável alvo de críticas de ONGs e movimentos sociais durante o FSM. O principal foco da propaganda brasileira será o programa Fome Zero. Serão exibidos vídeos das atividades do governo na área social.

¿ Também estaremos mostrando os programas de reforma agrária, agricultura familiar e programas sociais brasileiros ¿ disse Giorgio Romano, assessor especial para Assuntos Internacionais da Secretaria-Geral da Presidência.

Além das centenas de organizações e movimentos sociais brasileiros que já estão em Caracas, chegarão ao FSM dezenas de membros do PT e do governo Lula. Ontem, Romano disse que participarão do evento o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci; o chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi; o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, e a ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire.

Amanhã também chegam o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o secretário-geral do partido, Raul Pont. Ontem, o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, trouxe milhares de exemplares do jornal do partido ¿ em edição trilíngüe ¿, que atribui a culpa da crise política brasileira à direita. Além de participar do fórum, o PT pretende fazer articulações com outros partidos de esquerda no mundo. (S.A.)