Título: Exército vai mostrar arquivos para Comissão
Autor: Jailton de Carvalho
Fonte: O Globo, 19/11/2004, O País, p. 11

O coronel João Batista Fagundes, representante das Forças Armadas na Comissão de Mortos e Desaparecidos, disse ontem que o comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, já autorizou o acesso dos integrantes da comissão a qualquer unidade da Força em busca de documentos sobre a repressão durante do regime militar.

Segundo Fagundes, a comissão poderá até mesmo visitar o Batalhão 31 de Março, no Quartel General do Exército, em Brasília, apontado no mês passado pelo ex-agente do serviço de inteligência José Alves Firmino como o local onde estaria farta documentação sobre a ditadura militar.

¿ Sou testemunha do que ele (Albuquerque) me pediu que fizesse aqui como representante do Exército. É uma posição equilibrada, prudente, sensata e tanto quanto possível sábia, abrindo completamente as unidades militares. Todas as unidades a que a Comissão de Desaparecidos quiser ir, eu tenho autorização do general para dizer que a comissão vá. Ele não coloca a mínima restrição ¿ afirmou.

Ele argumenta que o estágio em que a democracia brasileira se encontra, o comandante não poderia ter outra posição senão franquear as instalações do Exército à comissão. O coronel disse que ele mesmo levaria os demais colegas de comissão a um dos subsolos do 31 de Março, onde estariam parte dos arquivos da repressão.

¿ O general Albuquerque me autorizou a dizer que o Exército está de porta e coração abertos para esta comissão.

O novo presidente da comissão, Augustino Veit, que tomou posse ontem, disse que gostaria de visitar o Batalhão 31 de Março. Para ele, uma eventual inspeção da comissão no batalhão e em outras unidades militares é muito importante.

Veit: abertura será boa para Comissão e para o Exército

Veit diz que essa abertura seria proveitosa não apenas para a comissão, mas também para o Exército. A comissão poderia conferir informações relevantes sobre os desaparecidos.

¿ Se o Exército não colocar qualquer objeção, isso vai ajudar a diminuir a expectativa de que o Exército não está disposto a abrir os arquivos ¿ disse Veit.