Título: Embaixador dos EUA no Brasil terá reunião para fazer a Alca renascer
Autor: Helena Celestino
Fonte: O Globo, 23/11/2004, Economia, p. 25
O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, John Danilovich, disse ontem que terá uma reunião com o encarregado de assuntos comerciais americanos, Robert Zoellick, na primeira semana de dezembro, para fazer renascer a Alca. Segundo o diplomata, não é grave se o acordo de livre comércio entrar em vigor somente em junho de 2005 ou levar até mais um ano para ser fechado, pois o fundamental é que as duas partes tenham um bom acordo que dê efetivamente acesso ao mercado dos EUA para os produtos brasileiros e dos outros parceiros:
¿ O objetivo da reunião com Zoellick é ter um claro entendimento do cronograma e da meta dos Estados Unidos para a Alca, até onde os Estados Unidos querem ir com o Brasil como co-presidente da Alca nesse processo de negociação.
Nessa primeira viagem aos EUA depois de assumir o posto na embaixada em Brasília em setembro, Danilovich tem também encontro marcado para o dia 1 de dezembro com a futura secretária de Estado, Condoleeza Rice, que conhece há 20 anos e com quem já teve longa conversa por telefone. Ele pretende agendar uma viagem de Condoleeza ao Brasil, seguida de uma visita do presidente George W. Bush ao país.
¿ Ela já expressou seu comprometimento com as políticas para o Brasil e toda a América do Sul. Vou esperar baixar a poeira das eleições para tentar agendar uma visita do presidente Bush, talvez em 2005 ¿ disse o embaixador, classificando de robustas e vibrantes as relações entre Brasil e EUA.
Alca: acordo comercial não será tão `light¿
Danilovich é amigo bem próximo do presidente Bush e era empresário até assumir seu primeiro posto diplomático na Costa Rica em 2001. Ontem, em Nova York, ele fez uma conferência no Conselho das Américas para investidores e executivos de grandes empresas, seguida de entrevista. O embaixador fez a defesa veemente da Alca e frisou que os EUA têm três posições muito claras sobre o acordo de livre comércio: estão comprometidos com a Alca, com as regras acertadas na Cúpula de Miami e com uma estratégia realista e pragmática para a resolução dos problemas.
Segundo ele, o acordo não vai ser tão light como ficou caracterizado pela imprensa no fim da reunião de Miami e pode ser fechado independentemente da adesão da Argentina e da Venezuela.
¿ Claro que podemos fazer o acordo sem a Argentina e a Venezuela. Mas acho que podemos atrair a Argentina para se juntar ao grupo. Já a Venezuela, como se sabe, é uma questão à parte ¿ disse.