Título: Cesar se justifica: `Houve um fato novo'
Autor: Luiz Ernesto Magalhães
Fonte: O Globo, 24/11/2004, O país, p. 8
O prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), reagiu ontem às acusações de ter traído o eleitorado que o reelegeu ao se lançar pré-candidato à Presidência da República pelo PFL. Argumentou que, durante a campanha, planejava ficar na prefeitura até o fim do mandato, mas que surgiram fatos novos após uma reunião com o presidente do PFL, Jorge Bornhausen.
Ao mesmo tempo, porém, Cesar ensaiou um recuo: disse que, se o cenário político for desfavorável, pode não se candidatar em 2006.
¿ Fui eleito para cumprir os quatro anos de mandato. Mas, como homem público, não posso ocultar um dado do meu eleitor. Na reunião, me foram mostradas as razões pelas quais meu nome deveria ser colocado à avaliação da opinião pública nacional. Era um fato novo que ocorreu depois da eleição. Eu hoje não sou candidato a presidente. Eu serei candidato na hipótese de, em março de 2006, o meu nome chegar a uns 15% das intenções de voto.
Segundo ele, o plano inicial previa que o lançamento da candidatura ocorresse em uma pré-convenção do partido, no fim do primeiro semestre de 2005. Até lá, o PFL apenas promoveria o seu nome, abrindo espaço nos programas institucionais do partido.
Sobre a críticas de ex-adversários de que mentiu para o eleitor, Cesar disse que eles são hipócritas:
¿ Todos foram escolhidos para legislar em Brasília em favor do país e do Estado do Rio. Como foram candidatos a prefeito, isso demonstra que também abandonariam o mandato.
O prefeito acrescentou que a pré-candidatura não deverá alterar o bom relacionamento com o governo federal. E sugeriu que o presidente Lula nomeie para o Ministério o deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ), derrotado nas últimas eleições para a Prefeitura. Cesar defendeu Bittar para o Ministério do Planejamento.