Título: Navio argentino acerta tiro em fragata do Brasil
Autor: Gustavo Goulart
Fonte: O Globo, 01/12/2004, O País, p. 10
Quatro militares da Marinha do Brasil e um oficial argentino ficaram feridos depois que uma embarcação da Marinha da Argentina, que participava da Operação Fraterno ¿ um exercício conjunto de tiro a 300 quilômetros da costa, na altura de Cabo Frio, no Rio ¿ disparou um tiro de canhão contra um alvo flutuante e móvel mas atingiu a fragata brasileira Rademaker.
Em nota oficial, a Marinha informou apenas que os militares feridos foram socorridos e levados de helicóptero para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio. Três feridos, entre eles o oficial argentino, já teriam recebido alta ontem. Outros dois continuam internados com quadro de saúde estável, segundo o 1 Distrito Naval.
Marinha abre IPM para apurar incidente
O incidente, segundo a nota, aconteceu às 21h30m de anteontem. A Marinha, no entanto, não informa as circunstâncias. Na nota, assinada pelo capitão-de-corveta Cícero Augusto Muniz Terra, chefe da Seção de Comunicação Social do 1 Distrito Naval, a Marinha diz que foi aberto um inquérito policial-militar (IPM) para apurar o caso com prazo de conclusão de 40 dias.
Uma fonte na Marinha informou que uma embarcação da Marinha da Argentina fez um disparo de canhão, que atingiu a fragata, que está em atividade desde 18 de maio de 1977 e até 1997 pertencia à Royal Navy, a Marinha Real Britânica.
A fragata, que só foi incorporada à Marinha do Brasil em 30 de abril de 1997, participava de mais um edição da Operação Fraterno, que acontece desde 1978 em conjunto com a Marinha da Argentina e se constitui de manobras e exercícios de tiro. Desta vez, participavam da operação, que acontece entre Itajaí, em Santa Catarina, e Cabo Frio, as seguintes embarcações argentinas: o contratorpedeiro Sarandi, a corveta Spiro e o submarino Santa Cruz. Da Marinha brasileira participavam as fragatas Rademaker e Defensora e o submarino Tapajó.
O contrato de compra da Rademaker, num valor de aproximadamente US$ 170 milhões, foi assinado em 18 de novembro de 1994. Sua transferência para Marinha do Brasil ocorreu depois de dar baixa da Royal Navy.
O histórico de operações militares da qual participou a fragata Rademaker, nome dado quando incorporada à Marinha brasileira em homenagem ao Almirante Augusto Hamann Rademaker Grünewald, inclui combates na Guerra das Malvinas, em 1982, quando a Royal Navy sofria perdas. Na época chamava-se HMS Battleaxe - F 89. Carregada, tem 4.400 toneladas de peso e mede 131,2 metros de comprimento. Tem velocidade máxima de 29 nós e de cruzeiro de 18 nós.
Fragata participou da Guerra das Malvinas
Seu raio de ação é de 1.200 milhas náuticas a 29 nós ou 4.500 a 18 nós. De armamento, a fragata transporta quatro lançadores de mísseis superfície-superfície MM 38 Exocet; dois lançadores sêxtuplos de mísseis antiaéreos de defesa; duas metralhadoras BMARC-Oerlikon de 20 mm; e dois lançadores triplos STWS MK 2 de torpedos A/S, de 324mm. Possui ainda radar de vigilância combinada; radar de navegação; e dois radares de direção de tiro. E transporta dois helicópteros. Na época em que foi incorporado à Marinha brasileira, sua tripulação era de 239 homens, sendo 17 oficiais e 222 praças.
A Fragata HMS Battleaxe - F 89 foi o quarto navio a ostentar esse nome na Royal Navy. Construída pelo estaleiro Yarrow Shipbuilders Ltd., em Scotstoun, Glasgow (Escócia), foi lançada ao mar em 18 de maio de 1977 e incorporada em 28 de março de 1980 pela Marinha britânica. A embarcação pertencia ao 2 Esquadrão de Fragatas, que teve sua sede na Base Naval de Devonport até maio de 1995, quando foi transferido para a Base Naval de Portsmouth.
Em 7 de fevereiro de 1988, o Submarino Nuclear de Ataque HMS Courageous - S 50, colidiu e afundou o iate Dalriana, no canal norte do Mar da Irlanda. As quatro pessoas a bordo do iate foram resgatadas 35 minutos depois pela então Battleaxe.
Em 2 de agosto de 1990, quando o Iraque invadiu o Kuwait dando inicio à Guerra do Golfo, a fragata estava no Golfo Pérsico. A participação da Royal Navy na Guerra do Golfo foi chamada de Operação Gramby. Em 8 de outubro, a fragata realizou buscas a dois navios suspeitos de violar o bloqueio ao Iraque no Golfo.