Título: BC volta a comprar e dólar fecha em alta de 1%
Autor: Paula Dias
Fonte: O Globo, 08/12/2004, Economia, p. 29
Após uma atuação discreta na véspera, ontem o Banco Central (BC) entrou de maneira mais firme no mercado e comprou uma quantidade maior de dólares e pagando mais caro no segundo dia de atuação. As propostas dos bancos variaram entre R$ 2,716 e R$ 2,728 e o Banco Central decidiu aceitar propostas até R$ 2,722. Na véspera, o limite aceito pelo BC tinha sido menor, de R$ 2,715.
Segundo cálculos dos operadores, o BC pode ter comprado entre US$ 60 milhões e US$ 90 milhões. Com isso, o BC puxou as cotações. No fim da manhã, o dólar estava praticamente cotado no valor mínimo do dia, a R$ 2,713. Cerca de 20 minutos depois, quando o BC anunciava o leilão, a cotação estava em R$ 2,715 e rapidamente foi a R$ 2,723. Às 15h50m, o dólar atingia a cotação mais alta do dia, a R$ 2,75. No fechamento, no entanto, o preço da moeda americana recuou um pouco e ficou em R$ 2,748, com alta de 1,06% no dia.
¿ É provável que as operações de compra fiquem mais freqüentes, com mais de um leilão por dia, depois que o mercado se acostumar à volta dessas compras ¿ disse Alexandre Sant'Anna, da ARX Capital Management.
Compras para dívida em 180 dias já podem ter sido feitas
Segundo ele, é possível que o Tesouro Nacional já tenha feito as compras de dólares necessárias para pagamento de dívidas que vencem nos próximos 180 dias. Essa limitação de atuação do Tesouro pode ter levado o BC a entrar no mercado agora.
Os títulos da dívida externa brasileira fecharam em alta. O C-Bond subiu 0,24%, cotado a 101,50% do seu valor de face. O Global 40 terminou o dia valendo 116,45% do seu preço, com valorização de 0,34%.
A alta dos títulos da dívida externa, em meio à queda dos outros ativos nacionais (como o real e as ações), é explicada pela repercussão positiva da retomada de compras de dólares pelo Banco Central. A iniciativa do BC de recompor reservas indica menor vulnerabilidade do país. Com isso, o risco-país fechou em queda de 1,45%, aos 406 pontos-base.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 2,51%, com o Índice Bovespa em 24.988 pontos. Os negócios realizados na bolsa somaram R$ 1,541 bilhão. Segundo Luiz Roberto Monteiro, consultor de investimentos da corretora Souza Barros, uma conjunção de fatores levou à queda da bolsa. Entre eles, a queda das ações do setor elétrico e a alta do dólar.
Papéis de energia tiveram desvalorização na bolsa
Os papéis de empresas do setor reagiram negativamente durante o megaleilão de energia elétrica existente. O Índice de Energia Elétrica (IEE) fechou em queda de 4,1%, maior que a registrada pelo Ibovespa. Como algumas das ações de energia participam dos dois índices, o Ibovespa também foi influenciado. Eletrobrás ON e PN caíram 9,8% e 9,2%, respectivamente.
Mas a Embratel Participações PN foi a maior queda do Ibovespa, com perda de 12,5%. A ação respondeu à notícia de que a empresa estuda fazer um aumento de capital de US$ 700 milhões. A operação levará a uma diluição do número de ações da empresa e gerou dúvidas quanto ao valor dos papéis já existentes.