Título: GOVERNISTAS DO PMDB GANHARÃO MAIS CARGOS
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Fonte: O Globo, 14/12/2004, O país, p. 12
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ampliar a participação da ala governista do PMDB no governo para assegurar o apoio da bancada de 19 senadores e de 43 deputados que permanecem na base aliada. Como a reforma ministerial deve ocorrer em fevereiro, os peemedebistas aliados deverão ser agraciados com cargos nos segundo e terceiro escalões do governo federal.
O presidente Lula recebeu ontem à noite, no Palácio do Planalto, o presidente do Senado, José Sarney (AP), os líderes Renan Calheiros (AL) e José Borba (PR), além dos ministros das Comunicações, Eunício Oliveira, e da Previdência, Amir Lando, para oficializar sua decisão de fortalecê-los e lhes dar instrumentos de ação política.
A partir de agora Renan e Borba passarão a ser os interlocutores das bancadas do partido no Senado e na Câmara.
¿ No encontro, o presidente institucionalizou os seus interlocutores a partir de agora. Não há razão para os ministros deixarem seus cargos. O PMDB, ao dizer que quer manter posição de independência, e não de oposição, deixou uma porta aberta para o diálogo com o governo ¿ afirmou o secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, ministro Jaques Wagner. ¿ Não há sangria desatada porque há responsabilidade mesmo dentro da oposição. O presidente quer saber com quem pode contar de imediato, mas também quer contar com cada vez mais gente no futuro.
O encontro entre Lula e os governistas foi antecedido de reuniões dos líderes do partido com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. O presidente reafirmou que os ministros devem permanecer em seus cargos, tanto os peemedebistas quanto o ministro da Integração, Ciro Gomes, do PPS, partido que também aprovou no fim de semana a saída da base aliada.
PMDB diz que deputados não participam da gestão
Na reunião com os líderes do PMDB, Lula não tratou de um terceiro ministério para o partido. Deixou para decidir sobre mudanças ministeriais em janeiro. Lula teria desistido de fazer mudanças mais amplas para não prejudicar a continuidade do trabalho administrativo. Além disso, os novos ministros podem ficar no cargo apenas um ano e meio, pois em abril de 2006 os que irão se candidatar terão que deixar os cargos.
Assim, Lula faria pequenos ajustes, principalmente políticos e destinados a incorporar o PP ao ministério e a ampliar a participação do PMDB. A expectativa dos governistas é de que já nas próximas semanas seja ampliada a presença de peemedebistas em postos de segundo escalão e em cargos federais nos estados. Um balanço da presença do PMDB no governo revelou que os senadores tiveram algumas de suas indicações atendidas e que os deputados simplesmente não participam da gestão.
¿ O apoio implica participação. O Senado quer mais espaço e a Câmara não tem nada ¿ disse um ministro.
E a briga interna do PMDB continuou ontem. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), garantiu que vai implementar hoje uma das decisões da convenção e comunicar à Justiça Eleitoral que estão desligados do partido os ministros Eunício Oliveira e Amir Lando, além dos presidentes dos Correios, João Henrique, e do INSS, Carlos Bezerra.