Título: INFLAÇÃO MEDIDA PELO IPC-S DOBRA PARA 0,57%
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Fonte: O Globo, 14/12/2004, Economia, p. 27
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) foi de 0,57% no mês encerrado em 6 de dezembro, 0,26 ponto percentual acima da medição anterior, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Também ontem o Banco Central (BC) divulgou que o mercado reduziu ligeiramente ¿ de 5,8% para 5,78% ¿ a projeção para o IPCA de 2005. Mesmo assim, a previsão para o índice que baliza as metas de inflação do governo continua acima do alvo estabelecido, que é de 5,1%.
Com isso, segundo a pesquisa semanal ¿Focus¿, com cem economistas de bancos e consultorias ouvidos pelo BC, a aposta é que o Comitê de Política Monetária (Copom) subirá amanhã a taxa básica de juros de 17,25% para 17,75% ao ano.
A aceleração do IPC-S foi influenciada sobretudo pela inflação em transportes, que pulou de 1,42% para 1,89%. O grupo voltou a ser pressionado pelo item combustíveis e lubrificantes (em que a inflação subiu de 3,33% para 4%), sob influência do reajuste da Petrobras em novembro. A variação dos preços da gasolina passou de 2,56% para 3,3%.
O coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros, explicou que o item alimentação ajudou a puxar o IPC-S. Apesar de não ter registrado a maior alta do índice, o grupo interrompeu 11 semanas seguidas de queda:
¿ Os preços dos alimentos se estagnaram ou começaram a subir, principalmente os derivados da pecuária. Mas é uma alta sazonal, de entressafra.
No grupo de habitação, o preço do gás de bujão subiu menos: de 1,85% na apuração anterior para 1,64%.
Mercado conta com Selic inalterada em janeiro
Segundo a pesquisa do BC, a expectativa é que, em janeiro, o Copom mantenha a Taxa Selic em 17,75% ao ano. Para o fim de 2005, as previsões são de que os juros caiam para 15,5% ao ano.
Confirmadas as projeções dos analistas para 2004, a meta de inflação deverá ser atingida após três anos de descumprimento. A projeção para a alta do IPCA neste ano está em 7,38%, próximo do limite de 8% estabelecido pelo governo.
Num ano de maior estabilidade da inflação ao consumidor, houve piora dos indicadores de inflação no atacado. As estimativas para o IGP-DI e o IGP-M em 2004 estão, respectivamente, em 12,52% e 12,63%. A expectativa dos analistas é que os dois índices caiam para 6,5% em 2005.
Os cálculos dos economistas de mercado consideram o dólar cotado a R$2,80 no fim do mês e a R$3 no fim de 2005. Nesse cenário, o Produto Interno Bruto (PIB) poderá crescer 5,08% em 2004 e 3,5% ano que vem.