Título: LULA NOS FÓRUNS
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Fonte: O Globo, 07/01/2005, Capa, p. 2

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ir ao Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, e ao Fórum Econômico, em Davos, por motivos diferentes. Em Porto Alegre vai defender o engajamento das organizações não-governamentais numa campanha mundial contra a pobreza e a fome. E em Davos vai reunir-se com grandes empresários europeus para convidá-los a investir no Brasil.

O presidente Lula vai ao Fórum Social a convite da organização ¿Movimento Global de Ação Contra a Pobreza¿, que reúne cerca de 70 ONGs, cuja principal atividade consiste em pressionar governos e líderes mundiais a se engajarem no cumprimento das Metas do Milênio. Estas entidades estão empenhadas em colocar no topo da agenda da próxima reunião dos países do G-8, em julho na Escócia, o cumprimento das promessas dos países mais desenvolvidos para reduzir a pobreza. E organizam uma manifestação mundial no dia 1º de julho, em que os cidadãos serão conclamados a se vestirem de branco, para chamar a atenção para a necessidade de ações concretas para erradicar a pobreza.

Para Lula, sua presença nesta reunião com representantes da sociedade será um desdobramento da reunião de líderes mundiais contra a fome e a pobreza, que reuniu uma centena de países e dezenas de chefes de governo na ONU em setembro do ano passado. E também uma oportunidade para tentar mudar a imagem de seu governo na área social. O presidente fará uma exposição das ações do governo no combate à fome e à pobreza no Brasil e de suas iniciativas no campo internacional, como a ajuda aos países africanos e o envio de uma força militar de paz ao Haiti. Virar o jogo na área social tornou-se uma obsessão para o presidente Lula. Ele evita criticar o secretário de Comunicação e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken, mas não consegue compreender como este setor do governo permanece na agenda negativa, quando o programa Bolsa Família está ultrapassando todas as suas metas.

No Fórum de Davos, Lula usará a tribuna para criticar o protecionismo dos ricos no comércio internacional e pedir o engajamento das forças econômicas mundiais na promoção do desenvolvimento dos países pobres. Mas o mais importante será a reunião com grandes investidores europeus. Os ministros da área econômica farão uma apresentação sobre a evolução da economia brasileira e as condições que o país oferece.

E o presidente Lula, além do contato pessoal com os empresários, dará o arremate político. Desta vez, ele não se limitará a vender esperança mas apresentará resultados. E, como dizem seus ministros, não há ninguém melhor que o presidente Lula para vender o Brasil lá fora.