Título: Luizianne cobra tratamento igual ao dispensado a Serra
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Fonte: O Globo, 12/01/2005, O País, p. 3

Em sua primeira visita ao Palácio do Planalto depois de tomar posse, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), cobrou ontem o mesmo tratamento dado ao prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), que ganhou prazo extra para pagamento de parcela da dívida deixada pela ex-prefeita Marta Suplicy (PT). Saiu de mãos vazias, pelo menos no que diz respeito à renegociação da dívida da capital cearense. Mas causou boa impressão ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, com quem se encontrou após a audiência com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo.

Palocci comentou ter ficado impressionado com a visão da prefeita sobre as prioridades do município e a considerou muito segura dos desafios que tem pela frente. De concreto, a prefeita saiu do Planalto apenas com a promessa de que a situação financeira de Fortaleza será analisada pelo governo. De imediato, o ministro Aldo Rebelo prometeu para hoje uma resposta sobre o impasse com a BR Distribuidora, que suspendeu o fornecimento de combustível para a prefeitura de Fortaleza devido a uma dívida de R$ 2 milhões.

Luizianne se disse otimista, mas avisou que ¿vai colocar a boca no trombone¿ se não conseguir ajuda.

¿ Vou ficar em Brasília até amanhã (hoje) esperando uma resposta sobre a Petrobras. Ainda bem que Palocci ouviu as queixas. Estou animada com as falas de que existe realmente interesse em nos ajudar. A gente peleja e aperreia. Se não der, vamos botar a boca no trombone. Temos que ter uma ajuda maior que São Paulo, porque estamos em pior situação, mas ficamos satisfeitos se o tratamento for o mesmo ¿ disse a prefeita.

A petista disse que, sem uma renegociação, não tem condição de manter os serviços públicos. Ela disse que até as ambulâncias pararam por falta de combustível. A folha de pagamento de dezembro, a ser paga agora, chega a R$ 40 milhões.

Já o prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT), que também esteve no Planalto, criticou os tratamentos diferenciados. Déda sugeriu a realização de um fórum para discutir a Lei de Responsabilidade Fiscal, com regras gerais para os municípios.

¿ O que não pode é ter um tratamento para cada caso que chegar a Brasília ¿ disse.