Título: BANCO E CONSULTORIA VÃO REESTRUTURAR A VARIG
Autor: Geralda Doca
Fonte: O Globo, 08/01/2005, ECONOMIA, p. 28
Plano inclui lançamento de ações, captação de investidores, reformulação administrativa e gerencial da empresa
BRASÍLIA. Um grande banco nacional - o mais cotado dentro do governo é o Itaú - e a empresa de consultoria Trevisan (que já faz auditoria nas contas da companhia) vão conduzir o plano de reestruturação da Varig. Nessa parceria, que conta com o aval do ministro da Defesa, o vice-presidente da República José Alencar, caberia ao banco reorganizar a parte financeira do negócio, incluindo lançamento de ações e captação de novos investidores, enquanto a consultoria ficaria responsável por cuidar da reformulação administrativa e gerencial da Varig, a fim de garantir a eficiência da companhia aérea.
As negociações para solucionar a crise da Varig já estão bastante adiantadas e poderão ser concluídas dentro de duas semanas, segundo interlocutores do governo.
Plano prevê acerto de contas com o governo federal
De acordo com fontes próximas à companhia, o plano que vem sendo costurado por Alencar, representantes da Varig e da controladora, a Fundação Ruben Berta (FRB), não contempla a transformação dos credores federais em acionistas da empresa, mas prevê um acerto de contas entre o que Varig deve ao governo (cerca de R$4 bilhões de uma dívida total de R$6 bilhões) e o que tem a receber como indenização das perdas decorrentes do congelamento de tarifas entre 1985 e 1992.
Na ação ganha pela companhia no Superior Tribunal de Justiça, a indenização seria de R$2,23 bilhões, mas este valor ainda não foi corrigido. O plano que está sendo discutido entre o governo e os envolvidos não propõe a injeção de recursos públicos na Varig, mas sim o alongamento das dívidas da empresa com os credores federais (Banco do Brasil, Infraero e BR Distribuidora). Assim como a União deverá abrir mão e fazer o encontro de contas, as estatais dariam a sua contribuição, contou uma fonte.
Objetivo do governo é dar credibilidade à reestruturação
Por outro lado, é consenso entre os envolvidos nas negociações que a Varig precisará de dinheiro novo para continuar operando e terá que atrair novos investidores, que assumiriam o controle da empresa. A FRB já teria manifestado ao ministro da Defesa a disposição em deixar o comando da empresa.
Segundo fontes do governo, foi de Alencar a idéia de que o novo plano fosse elaborado por uma empresa de consultoria reconhecida no mercado, com a intermediação de um grande banco. Isso, de acordo com o ministro, daria credibilidade à proposta de reestruturação e enterraria de vez a intervenção e liquidação extrajudicial da companhia, que chegou a ser estudada pelo governo.
O assunto vem sendo discutido intensamente entre Alencar e o presidente da companhia, Luiz Martins. Na próxima segunda-feria, um dos principais executivos da General Electric visitará Alencar, quando deverá manifestará apoio ao plano.
No fim do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou a União indenizar a Varig pelas perdas causadas de tarifas, entre 1985 a 1992. Caso seja feito um acerto de contas, a decisão deverá beneficiar também outras empresas que têm causas semelhantes.