Título: Amorim: `Inglês deve deixar de ser indispensável¿
Autor: Eliane Oliveira
Fonte: O Globo, 13/01/2005, O país, p. 9

No dia em que defendeu a decisão do Itamaraty de não mais considerar eliminatória a prova de inglês para a seleção de futuros diplomatas, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, discursou em espanhol e deu entrevista coletiva em francês. Amorim disse que a mudança nas regras de ingresso no Instituto Rio Branco, que forma os diplomatas brasileiros, foi democrática. Segundo ele, o inglês deve ter o mesmo peso que o francês e o espanhol no concurso, para que sejam dadas as mesmas oportunidades aos candidatos.

¿ Saber inglês deve deixar de ser uma condição indispensável para a pessoa ser removida ao exterior ¿ afirmou o chanceler, depois de fazer discurso em espanhol durante uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

¿ Eu mesmo falei em espanhol há pouco e dei uma entrevista em francês. O importante é dar maior ênfase ao uso de nossa língua, que é o português. Esta, sim, será uma matéria eliminatória ¿ completou o ministro.

Para Amorim, o que se pretende é acabar com o que chamou de ¿elitização¿ da carreira.

¿Por que favorecer só pessoas de famílias abastadas?¿

Ele deu a entender que o Rio Branco deverá investir mais no ensino de línguas e afirmou que qualquer um pode aprender inglês em poucos anos.

¿ Por que favorecer somente pessoas de famílias abastadas? ¿ indagou Celso Amorim.

O chanceler ressaltou que, ao entrar no Instituto Rio Branco e, por conseguinte, na carreira diplomática, o estudante procurará aprender outras línguas para representar o Brasil no exterior. Além disso, argumentou Amorim, o fato de inglês, francês e espanhol serem matérias classificatórias já mostra a necessidade de o candidato tentar dominá-las.

¿ Estamos democratizando o ingresso no Instituto Rio Branco. Não podemos admitir que alguém deixe de passar na prova só porque não estudou e morou no exterior. No caso do português, não tem desculpa. É preciso saber se expressar na própria língua ¿ disse.