Título: Mercosul e UE voltam a discutir acordo
Autor: Eliane Oliveira
Fonte: O Globo, 13/01/2005, Economia, p. 27
As negociações entre Mercosul e União Européia (UE) para um acordo de livre comércio entre os dois blocos deverão ganhar um novo impulso no fim deste mês, em Davos, na Suíça. Paralelamente aos debates do Fórum Econômico Mundial, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o novo comissário de Comércio europeu, o britânico Peter Mandelson, vão se encontrar pela primeira vez. Mais do que uma discussão política, os dois pretendem avaliar se é possível assinar o tratado comercial ainda este ano ou se o ideal será mesmo levar o processo com a rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC), prevista para terminar em 2006.
O encontro foi sugerido pelo próprio Mandelson, que enviou a Amorim uma carta, na semana passada, propondo que ambos avaliassem a possibilidade de fechar um acordo em 2005. Para o chanceler brasileiro, no entanto, o mais provável é que as conversas transcorram mesmo com as negociações da OMC, tendo em vista que um dos pontos mais importantes para o Mercosul ¿ o fim dos subsídios agrícolas ¿ não entrará no acordo entre os dois blocos, por decisão da UE.
¿ Eles mesmos condicionam alguns itens à OMC ¿ disse Amorim ao GLOBO.
Amorim avisou que o que foi apresentado à União Européia no ano passado, antes de outubro e, portanto, às vésperas da troca dos comissários negociadores, não vale mais para essa nova fase. O bloco do Cone Sul ofereceu, por exemplo, um nível maior de abertura nas áreas de serviços e compras governamentais. Embora a UE discorde desta avaliação.
¿ Mas isso não significa que não avancemos, o que não depende exclusivamente do Mercosul ¿ afirmou o ministro, referindo-se às dificuldades do bloco sul-americano em conseguir maior acesso ao mercado europeu em carnes e outros produtos agropecuários.
Celso Amorim também se reunirá em Davos com Robert Zoellick, que está deixando o cargo de representante de Comércio dos Estados Unidos. Nesse caso, o tema será a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
¿ Mas não acredito em grandes resultados, porque Zoellick está saindo, embora como subsecretário do Departamento de Estado americano ele talvez possa nos ajudar ¿ disse Amorim.
Negociações da Alca estão emperradas
Suspensas com as eleições americanas, no fim do ano passado, as negociações da Alca enfrentam obstáculos, principalmente devido a posições divergentes entre Brasil e EUA, que presidem em conjunto esse processo. O governo americano insiste num acordo ampliado, que inclua regras para serviços, investimentos, propriedade intelectual e compras governamentais. Mas os negociadores brasileiros preferem se concentrar na parte de acesso a mercados.
¿ Se os EUA estão negociando acordos bilaterais de comércio com o mundo todo e nós também, por que os americanos também não fazem o mesmo com o Mercosul? ¿ indagou o chanceler.