Título: A inútil procura pelo arsenal
Autor: José Meirelles Passos
Fonte: O Globo, 13/01/2005, O Mundo, p. 29

AGOSTO DE 2002: O vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, diz em discurso: ¿Não há dúvida de que Saddam Hussein tem armas de destruição em massa.¿

OUTUBRO DE 2002: A inteligência americana relata ter verificado ameaças iraquianas. Diz que Saddam tentava obter material para fabricar armas nucleares.

NOVEMBRO DE 2002: O Conselho de Segurança da ONU aprova uma resolução que prevê sérias conseqüências se o Iraque não desistisse das armas proibidas. No mesmo dia o presidente Bush diz que Bagdá não cumpriu a resolução e que os EUA e outros países desarmariam Saddam.

JANEIRO DE 2002: Os inspetores da ONU dizem não ter achado indício de armas proibidas no Iraque. Semanas depois, no Discurso sobre o Estado da União, Bush afirma que Saddam não estava se desarmando.

FEVEREIRO DE 2003: O secretário de Estado americano, Colin Powell, apresenta na ONU fotos de satélite que provariam que o Iraque tentava fabricar armas proibidas. Durante a exposição, o secretário mostra aos diplomatas presentes um frasco que conteria antrax.

MARÇO DE 2003: No dia 20, depois de a ONU não chegar a um acordo sobre uma segunda resolução contra o Iraque, os EUA e a Grã-Bretanha dão início à guerra.

MAIO DE 2003: No dia 2, Bush declara vitória na guerra no Iraque.

JUNHO DE 2003: Dois comitês do Senado americano começam a investigar abusos da inteligência para provar que o Iraque tinha armas proibidas. Especialistas americanos, britânicos e australianos chegam ao Iraque para procurar as armas.

OUTUBRO DE 2003: Os especialistas relatam que não encontraram as armas, mas pedem mais tempo.

JANEIRO DE 2004: O chefe dos especialistas, David Kay, renuncia dizendo não acreditar que Saddam tivesse armas proibidas. Os EUA admitem pela primeira vez que a inteligência poderia ter errado.

JULHO DE 2004: Um relatório da Comissão de Inteligência do Senado americano critica duramente a inteligência pela má qualidade das investigações antes da guerra. Bush insiste que Saddam tinha intenção de adquirir armas proibidas.

OUTUBRO DE 2004: Os especialistas divulgam seu relatório final: nenhuma arma proibida fora encontrada.

JANEIRO DE 2005: Os EUA confirmam que já não procuram armas proibidas.