Título: Rotina de violência
Autor: Ricardo Galhardo
Fonte: O Globo, 14/01/2005, O País, p. 12
As denúncias de violência em unidades da Febem são um dos principais problemas da administração tucana em São Paulo e figuram freqüentemente nas listas de desrespeitos aos direitos humanos feitas por entidades internacionais. Na segunda semana de setembro de 1999 foram registradas as primeiras fugas em massa, quando 500 adolescentes infratores escaparam da unidade Imigrantes depois de duas rebeliões seguidas. Na ocasião, pelo menos 12 parentes de internos foram feridos por balas de borracha da polícia. O então governador Mário Covas foi conferir pessoalmente a situação da unidade e acabou batendo boca com parentes de internos.
Um mês depois, o saldo subiria para 905 fugitivos, 48 feridos e quatro adolescentes mortos em uma série de rebeliões e fugas em massa. No dia 11 de dezembro, outro garoto morreu em uma rebelião em Santo André. Em 2000 as rebeliões continuaram. Só a unidade Tatuapé registrou duas em menos de 24 horas. Em Franco da Rocha, um morreu e 16 ficaram feridos no dia 11 de agosto. Oito meses depois, a unidade vivia a quinta rebelião, na qual um funcionário morreu e 33 jovens ficaram feridos. As mortes, agressões e fugas continuaram nos anos seguintes. Segundo a Febem em 2003 foram registradas 33 rebeliões e, em 2004, 35.