Título: China reafirma monopólio de cigarros
Autor: Gilberto Scofield Jr.
Fonte: O Globo, 14/01/2005, Economia, p. 27
Quando todos esperavam que a China abriria para o capital estrangeiro o seu monopólio no setor de cigarros este ano, a Agência de Monopólio de Tabaco do país avisa que este segmento está fechado a novos investimentos estrangeiros sob a forma de parcerias, ou joint-ventures . O porta-voz da agência, Xing Wanli, disse que não haverá qualquer nova fábrica na China, nem mesmo se for voltada somente para exportação.
A produção de cigarros é monopólio do Estado, mas há parcerias com empresas estrangeiras nas áreas de distribuição de cigarros importados, importação de fumo, papel para cigarro e tecnologia de fabricação. Para ser coerente com a proibição de novas fábricas, a China deve suspender as parcerias na área de distribuição de cigarros importados. É a primeira vez, desde a abertura econômica em 1979, que o país volta a fechar um setor da economia ao capital estrangeiro.
¿ A capacidade atual de produção de cigarros na China já excede a demanda pelo produto e o estabelecimento de novas fábricas não será mais autorizado ¿ afirmou Xing.
Mas a multinacional British American Tobacco (BAT), fabricante das marcas Lucky Strike, Kent e Dunhill, afirma que já obteve do governo chinês permissão para construir no país a primeira fábrica de cigarros estrangeira. A autorização teria sido dada em julho de 2004, mas a Agência de Monopólio nega. A fábrica da BAT seria uma joint-venture de US$ 1,5 bilhão.
Pressionado por um tratado assinado nas Nações Unidas para reduzir o fumo no país ¿ 80% dos homens chineses adultos fumam ¿ o governo de Pequim se vê entre a necessidade de gerar empregos e a saúde pública. E as gigantes do setor sonham com a China, que em 2004 atingiu a marca de 1,877 trilhão de unidades vendidas, alta de 4,5% em relação a 2003. O país responde por 30% das vendas mundiais de cigarro.