Título: No Reino Unido, modalidade jádomina mercado
Autor: Luciana Rodrigues e Mirelle de França
Fonte: O Globo, 17/01/2005, Economia, p. 15
Em 1966, o Barcaly¿s Bank fez história no Reino Unido ao lançar o primeiro cartão de crédito do país. A novidade, na época recebida com desconfiança entre os consumidores, hoje é presença constante nas carteiras dos britânicos. E, no dia 29 de novembro, o volume de transações com cartões ultrapassou, pela primeira vez, o de pagamentos em dinheiro. Em 2004, os britânicos desembolsaram o equivalente a R$ 1 bilhão em operações do gênero, superando em R$ 5 milhões as transações tradicionais.
Segundo a APACS, entidade que monitora a movimentação em cartões de crédito e débito no Reino Unido, há hoje 134 milhões de cartões no país, número mais de duas vezes maior que de o habitantes (60 milhões), algo único na Europa, e que corresponde a quase um quarto das 542 milhões de unidades em circulação no continente. Pesquisas mostram que 65% dos adultos britânicos têm pelo menos um cartão de crédito, percentual inferior somente ao dos EUA (85%).
Tal popularidade veio graças a estratégias agressivas de mercado. Desde 2000, empresas de cartão de crédito têm oferecido planos em que o consumidor durante meses a fio não paga juros sobre transações e pagamentos parciais. A estabilidade econômica também ajuda: os juros anuais estão em 4,75%. E a concorrência é grande, o que pode ser medido pelo número de anúncios na mídia e o volume de correspondência: uma em cada quatro cartas recebidas pelos britânicos é uma oferta de cartão, segundo dados do Royal Mail.
Mas, segundo o Citizens Advice Bureau, organização de defesa dos direitos do consumidor, um terço dos US$ 360 milhões em dívidas não pagas no Reino Unido foi contraído com cartões de crédito.