Título: Rosinha critica Cesar por pedir verba por escrito
Autor: Luiz Ernesto Magalhães e Maiá Menezes
Fonte: O Globo, 18/01/2005, Rio, p. 11
A governadora Rosinha Garotinho não gostou da forma que o prefeito Cesar Maia escolheu para oficializar o pedido de recursos para as obras da Vila Pan-Americana, na Barra da Tijuca, necessárias para a realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio. A carta enviada por Cesar à Procuradoria Geral do Estado pode se transformar no mais novo impasse entre o governo do estado e a prefeitura. A governadora disse ontem que espera uma conversa com o prefeito para acertar como poderia ser feito o empréstimo.
¿ Ele não pode se sentar comigo e conversar? Existe algum problema? A gente não resolve as situações políticas com burocracia, mas com diálogo. Estou disposta a fazer o empréstimo. E ele sequer fez um contato pessoal. Não adianta uma carta fria. Quem está precisando do dinheiro é ele ¿ disse Rosinha, afirmando que, no documento, o prefeito diz querer que o estado assuma o pagamento da obra.
No documento, Cesar pede R$ 157 milhões
O documento entregue ao estado mostra que a conta é maior que a divulgada por Cesar Maia na última sexta-feira. As obras de urbanização da Vila Pan-Americana custarão R$ 157 milhões e não R$ 150 milhões, como afirmou o prefeito durante a cerimônia de assinatura da lei que libera a construção de prédios no autódromo para o Pan.
Ontem, o prefeito passou o dia reunido com assessores e até as 21h não respondeu a perguntas enviadas por e-mail sobre as críticas feitas pela governadora.
O secretário estadual de Esportes, Chiquinho da Mangueira, também criticou o prefeito:
¿ Se ele quer ajuda da governadora, tem que pegar o telefone vermelho e marcar uma audiência. O estado não pode repassar recursos sem antes haver uma ampla discussão sobre isso ¿ disse.
O documento enviado ao estado tem 121 páginas. No calhamaço, Cesar apresenta cópias dos pedidos de financiamento que protocolou na Caixa Econômica Federal (CEF) e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No caso da CEF, o prefeito pede R$ 126 milhões e propõe entrar com outros R$ 31 milhões de contrapartida. Já no pedido do BNDES o valor requerido é de R$ 94,8 milhões enquanto o município entraria com a quantia restante: R$ 63,2 milhões.
A governadora disse que aceitaria receber o prefeito hoje, depois do lançamento do programa Gol de Placa, que reunirá, às 10h, os presidentes dos principais clubes de futebol do estado, no Palácio Laranjeiras.
¿ Podíamos aproveitar que o assunto é esporte para tratar do tema ¿ disse Rosinha Garotinho.