Título: Proposta da Argentina sobre dívida enfrenta protesto na capital italiana
Autor: Janaína Figueiredo
Fonte: O Globo, 18/01/2005, Economia, p. 18
Cerca de 200 investidores fizeram ontem em Roma uma manifestação em repúdio à proposta de reestruturação da dívida argentina, no primeiro dia de reuniões do secretário de Finanças da Argentina, Guillermo Nielsen, com credores na capital italiana. Apesar do clima de otimismo que predomina entre os argentinos, o cenário no exterior continua incerto. Além de Nielsen, outros colaboradores do ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, participaram de reuniões na Alemanha, na tentativa de convencer os credores a aceitarem a oferta apresentada pelo governo Néstor Kirchner.
¿ Nem mesmo nós gostamos do plano de troca dos bônus (argentinos), mas esse é o plano definitivo. É pegar ou largar ¿ afirmou Nielsen durante o encontro com os credores italianos, segundo revelou o presidente de uma das principais associações de defesa dos consumidores italianos, a Federconsumatori, Rosario Trefiletti.
Cerca de 450 mil italianos possuem títulos da dívida argentina, o que representa 15% do montante que será reestruturado pelo país. Porém, o apoio de países como Itália, Alemanha e Japão não é considerado fundamental por analistas locais.
¿ Estimamos que 60% da dívida a ser renegociada estão em mãos de credores argentinos, particulares e institucionais. Claro que o respaldo da comunidade internacional é importante, mas não é crucial ¿ afirma o economista Rafael Ber, da Argentine Research.
Segundo ele, ¿se a maioria dos argentinos aceitar a proposta muitos estrangeiros terminarão cedendo e a adesão final chegará a pelo menos 70%¿. De acordo com a Argentine Research, nos primeiros dias de renegociação o governo Kirchner obteve a adesão de mais de 25% dos credores locais, sobretudo de fundos de pensão e bancos.
O banco alemão Commerzbank indicou em relatório que apenas 50% dos credores da Argentina aceitarão a proposta de renegociação apresentada pelo governo Kirchner, que pretende reduzir uma dívida de US$ 81 bilhões para algo entre US$ 35 bilhões e US$ 41 bilhões.
Pesquisa divulgada ontem pela consultoria OPSM, em Buenos Aires, revela que 80% dos argentinos acreditam que a operação será um sucesso.