Título: Pesquisa relaciona desenvolvimento de câncer em crianças à poluição
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Fonte: O Globo, 18/01/2005, Ciência, p. 25
A maioria dos casos de câncer em crianças estaria relacionada à exposição a poluentes industriais inalados pela mãe durante a gravidez, aponta um estudo divulgado ontem na Grã-Bretanha. A pesquisa gerou polêmica entre especialistas.
O coordenador do estudo, George Knox, da Universidade de Birmingham, relacionou os dados de nascimento e morte de crianças vítimas de câncer a um mapa de emissões químicas da Grã-Bretanha.
O cientista descobriu que crianças nascidas dentro de um raio de um quilômetro de centros de emissão de poluentes tinham o risco de desenvolver câncer antes de completarem 16 anos aumentado de duas a quatro vezes.
¿ A maioria dos cânceres infantis provavelmente se inicia pouco antes do nascimento, no contato com essas fontes emissoras de poluentes ¿ afirmou.
Monóxido de carbono seria um dos maiores vilões
As situações de maior risco seriam para as grávidas que vivem perto de locais de alta emissão de monóxido de carbono, resultante de motores a combustão, e 1,3-butadieno, usado na produção de borracha e também subproduto da queima de motores.
¿ Essas doenças são causadas muito cedo, provavelmente antes do nascimento ¿ afirmou Knox. ¿ Elas estão relacionadas a emissões atmosféricas que, provavelmente, são absorvidas pela mãe e passam através da placenta.
Óxidos de nitrogênio e outros compostos, como benzeno e dioxina, também foram mencionados no estudo publicado na ¿Journal of Epidemiology and Community Health¿.
¿ É uma hipótese bastante aceita que uma ou mais dessas substâncias são danosas ¿ sustentou o coordenador do estudo. ¿ Sabemos que diversas delas são cancerígenas em animais.
Diversos especialistas em câncer, entretanto, sustentaram que o estudo não apresenta provas conclusivas da relação entre os poluentes e o desenvolvimento da doença.
Knox frisou, no entanto, que embora defenda a redução das emissões de poluentes, a população não deve ficar alarmada. Ele lembrou que tumores malignos infantis são muito raros. Os registros indicam um caso para cada mil nascimentos. Segundo o novo estudo, a incidência poderia aumentar para 2 a 4 em mil nascimentos nos lugares de maior emissão, o que ainda seria um número muito baixo.
Os mapas usados por Knox são referentes ao ano de 2001. Eles foram relacionados a mortes por câncer de crianças nascidas entre 1960 e 1980.