Título: MEIRELLES REAGE A CRÍTICAS DE FURLAN
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Fonte: O Globo, 15/01/2005, Economia, p. 27
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, reagiu ontem, no Rio, às críticas à política econômica do governo, feitas desta vez pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. O ministro afirmara na última quarta-feira que os juros altos são ineficazes no esforço para manter a inflação dentro das metas estabelecidas pelo governo, por causa da forte influência dos preços administrados e das tarifas públicas, e cobrara uma atuação mais firme do BC para conter a valorização do real frente ao dólar, por prejudicar as exportações. Meirelles defendeu o sistema de metas de inflação e o câmbio livre.
Sem citar diretamente Furlan, Meirelles disse que a variação dos preços administrados é levada em conta antes de o Conselho Monetário Nacional (CMN) definir a metas de inflação a serem atingidas. O presidente do BC garantiu ainda que não há medida específica em estudo para influenciar a cotação do dólar comercial.
`Não há medidas em estudo para o câmbio¿, diz Meirelles
Segundo o ministro Furlan, a partir de março, o prazo de liquidação dos contratos de câmbio, hoje de seis meses, seria ampliado, o que contribuiria para a reação da moeda americana, já que reduziria a oferta de dólares no país.
¿ Assim como o sistema de metas de inflação, o câmbio flutuante é o regime de maior sucesso no mundo. Evidentemente estudamos possibilidades de melhorar a eficiência geral da economia brasileira. Mas não há medida específica alguma para influenciar a cotação do câmbio. O que existem são objetivos de política macroeconômica ¿ disse ele, acrescentando que, se a proposta de ampliação do prazo para entrada dos dólares for apresentada será avaliada pelo CMN.
O presidente do BNDES, Guido Mantega, também saiu ontem em defesa das políticas de comércio exterior e cambial do país. Segundo ele, o desempenho brasileiro tem sido positivo, com saldos recordes na balança comercial.
¿ A política de comércio exterior é vitoriosa. O país está no rumo certo, com a política adequada. É claro que sempre se pode fazer um ajuste ou outro, mas, de modo geral, a política é acertada ¿ disse.
Dólar comercial fecha em alta de 0,11%, a R$2,707
Ontem, o BC voltou a comprar dólares no mercado por até R$2,707. A moeda fechou em alta de 0,11%, cotada a R$2,702. Nem mesmo a conclusão da captação de US$100 milhões pelo Banco Votorantim conseguiu impedir a valorização da moeda, que acompanhou a tendência internacional. Isso afetou o risco-Brasil, que subiu 0,94% (429 pontos centesimais). A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 0,48% ontem.