Título: NO DF, GASTO POR HABITANTE É O MAIS ALTO DO PAÍS
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Fonte: O Globo, 24/01/2005, O País, p. 3
situação do sistema de saúde no Distrito Federal pode servir como exemplo dos grandes problemas ainda enfrentados no setor, mesmo quando os recursos estão disponíveis. O gasto per capita com saúde na capital federal é de R$600 por habitante, mais que o dobro da média nacional, que é de R$268. Significa que são gastos por ano cerca de R$1,4 bilhão. O sistema do Distrito Federal não é caótico, como na maioria das capitais, mas apresenta problemas.
Em 2005, segundo o secretário de Saúde, Arnaldo Bernardino, será aplicado R$1,9 bilhão incluindo o pagamento dos 25 mil funcionários do sistema:
¿ Dinheiro tem. Tem orçamento. Mas é difícil fiscalizar uma rede com 25 mil funcionários.
O secretário disse que a situação do Distrito Federal é distinta da do resto do país. Segundo ele, enquanto a capital tem 2,3 milhões de habitantes, a rede hospitalar atende a 7,1 milhões de pacientes dos estados vizinhos, dos quais 4,3 milhões passam por algum tipo de procedimento. Pelas estatísticas do governo do DF, cerca de um milhão de pessoas vão a Brasília para consultas na segunda-feira e retornam aos seus municípios na sexta.
¿ Atendemos a pessoas do Brasil inteiro. Só Águas Lindas (maior município dos arredores de Brasília, mas que pertence a Goiás) tem 1,3 milhão de pessoas que nos procuram ¿ disse Bernardino.
Os sindicatos e as associações de médicos do Distrito Federal dizem que faltam medicamentos, roupas de cama, seringas, ataduras, anestésicos e equipamentos nos hospitais da rede pública. Na semana passada, os médicos residentes deflagraram uma paralisação para melhoria das condições no atendimento hospitalar. Eles acusam o governo do Distrito Federal de ter estabelecido uma lei de mordaça que proíbe os médicos de denunciar a precariedade do sistema.
O coordenador do movimento dos médicos residentes, André Borba, disse que na sexta-feira passada as 16 salas de cirurgia do maior hospital da rede pública do DF ficaram sem funcionar: os médicos cruzaram os braços por falta de anestésicos.
¿ Isso não é verdade, é uma falácia. Acho que é antiético alguém cuidar de um material e deixar acabar sem repor ¿ rebate o secretário de Saúde.