Título: PAÍSES RICOS INVESTIRAM 10% DO PIB EM 2000
Autor:
Fonte: O Globo, 24/01/2005, O País, p. 3

Estudo da Organização das Nações Unidas publicado esta semana conclui que em 2000 a despesa total ¿ pública e privada ¿ dos países ricos com a área de saúde representou em média 10% dos seus respectivos Produtos Internos Brutos. Nos Estados Unidos, campeão de gastos no setor, a despesa com saúde foi de US$1,3 trilhão, o que correspondeu a 13% do PIB americano. Os números mostram ainda que os países mais miseráveis ¿ a maioria africanos¿ gastaram apenas US$45 bilhões.

No Brasil, segundo dados de especialistas no setor, os gastos totais foram estimados em R$80 bilhões ¿ entre investimentos públicos e privados ¿ ou seja, menos de 5% do PIB, que este ano vai chegar a R$1,7 trilhão, de acordo com as previsões oficiais.

O estudo mostra ainda que nas economias dos países em desenvolvimento a média de aplicação de recursos em saúde é de apenas 4%. De acordo com o levantamento feito pelas Nações Unidas, os países ricos gastam cerca de US$ 2.700 por pessoa nos cuidados da saúde, enquanto os países da África gastam apenas US$29 per capita. Em alguns desses países, a situação é ainda pior: os gastos não chegam a US$10 por pessoa.

As estatísticas oficiais do governo mostram também que o Brasil está longe de atingir os patamares dos países ricos em matéria de aplicação de recursos em saúde. Em 2003 foram aplicados no setor R$45 bilhões, se somados os recursos da União, dos estados e dos municípios. A média de aplicação per capita nacional foi de R$ 267,59.

Entre as unidades da federação que têm maior média de aplicação está o Distrito Federal, com R$600 por habitante; Roraima, com R$414; e o Rio de Janeiro vem em terceiro lugar, com R$343. A pior média fica por conta dos estados do Pará, com R$174 per capita, Minas Gerais, com R$206, e Santa Catarina, com R$217.

Segundo as Nações Unidas, nas economias pobres as despesas privadas na saúde representam uma parcela maior que na maioria das economias ricas. Nos países pobres, 73% da despesa vieram de recursos privados; nos países ricos, apenas 38% foram de fontes privadas.

Os Estados Unidos fogem do padrão dos países ricos: 56% da despesa na saúde foram de investimentos privados; na União Européia esse percentual atingiu 25%.