Título: NAS RUAS, O `FLANELINHA UNIFORMIZADO¿
Autor:
Fonte: O Globo, 24/01/2005, Rio, p. 9
Guardador do Rio Rotativo cobra acima do valor oficial e dá talão em branco
O talão não mente: para parar o carro nas áreas do Rio Rotativo o motorista deve pagar R$2. Mesmo assim, ontem à tarde, um homem com o colete do Sindicato dos Guardadores cobrava R$5 de quem queria parar nas vagas oficiais da Rua Mata Machado, perto do Maracanã. Segundo o presidente da CET-Rio, Marcos Paes, a cobrança acima do valor determinado é crime de extorsão e deve ser punida com prisão.
Uma equipe do GLOBO que estava num carro sem logomarca da empresa foi um dos alvos da extorsão. Às 16h50m, enquanto o Flamengo enfrentava o Olaria no Maracanã, o motorista do jornal parou o carro numa vaga do Rio Rotativo e, quando pediu o talão, foi informado de que teria que pagar mais que o dobro do preço estipulado. O guardador, que usava colete com o número 39, queria R$5. Depois de muita conversa, ele disse que ¿quebraria o galho¿ do motorista, mas que merecia ¿pelo menos o do café¿. No fim, o motorista pagou R$3 e, ao receber o talão , surpreendeu-se ao ver que a folha estava em branco, sem anotação da placa do carro, horário e dia, o que também é irregular.
Apesar de estarem uniformizados, os guardadores da CET-Rio que atuavam ontem nos arredores do Maracanã não usavam os os crachás de identificação ¿ outra irregularidade.
Marcos Paes disse que vai convocar hoje o presidente do Sindicato dos Guardadores e exigir explicações.
¿ Vamos ver de quem se trata. O usuário do colete 39 será punido por praticar um crime. Ele é um flanelinha uniformizado ¿ disse.
Apesar da ordem do Comando da Polícia Militar de reprimir a atuação de flanelinhas, eles atuaram livremente ontem próximo ao Maracanã. Segundo o comandante Álvaro Garcia, do 6º BPM (Tijuca), dez homens foram designados para a repressão a flanelinhas ao redor do estádio:
¿ São muitas ruas e ainda temos que impedir os assaltos. Não temos policiais suficientes.