Título: Diplomacia do futebol pode salvar João José
Autor: Bernardo de la Peña e Helena Celestino
Fonte: O Globo, 26/01/2005, O Mundo, p. 27
A diplomacia da bola surgiu como esperança para o engenheiro João José Vasconcellos Jr. Um editor do ¿Asharq al-Awsat¿, o maior jornal árabe ¿ com três milhões de leitores em 16 países e escritório na capital britânica ¿ disse ao GLOBO que uma mensagem de estrelas do futebol brasileiro, como Pelé, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, seria mais eficaz que esforços do Itamaraty para sensibilizar os seqüestradores. Segundo o editor, que pediu anonimato, a maioria dos militantes é jovem e fã do futebol brasileiro.
A diplomacia da bola também agrada à rede de TV Al-Arabyia. Em entrevista ao GLOBO por telefone, de Dubai, o diretor da emissora, Abdul al-Rashed, acrescentou que o apelo dos jogadores não agradaria apenas aos fãs de futebol, mas também ajudaria os Esquadrões al-Mujahedin a divulgar o seqüestro de Vasconcellos Jr., que não teve muito espaço na mídia árabe. Al-Rahsed acrescentou que a emissora divulgaria o apelo assim que recebesse a gravação com os jogadores.
Procurada pelo GLOBO, a família de Vasconcellos Jr. deixou transparecer alguma simpatia pela idéia, mas disse que ela precisa ser mais discutida.
Para Al-Rashed, da rede Al-Arabyia, a nacionalidade do engenheiro não será uma vantagem numa negociação diplomática porque os insurgentes iraquianos há algum tempo não se preocupam em atacar somente países da coalizão comandada pelos EUA. Seu objetivo é provocar o máximo de problemas para muitas empresas contratadas para trabalhar no país, como a Odebrecht ¿ a serviço do governo americano para reparos numa termelétrica na cidade de Baiji, norte do Iraque, onde Vasconcellos Jr. foi seqüestrado.
Já o editor do ¿Asharq al-Awsat¿ disse que ¿o refém corre mais perigo a cada dia, principalmente depois do fim da peregrinação a Meca, período sagrado do calendário muçulmano, e a proximidade das eleições. E por mais que o presidente Lula esteja disposto a intervir, o futebol é hoje a grande referência brasileira para os iraquianos. Esses militantes chegam ao ponto de jogar peladas nas ruas durante os dias sem muitas ações¿, disse ele.
Segundo o jornalista, os seqüestradores do brasileiro têm filosofia semelhante à de grupos ligados à al-Qaeda. E qualquer que seja o método de negociação usado, as autoridades brasileiras precisam agir rápido.
¿ A eleição é um momento perigoso e o brasileiro corre perigo maior a cada dia que passa. E esse grupo em particular tem pouca paciência com políticos.