Título: EUA negam participação em captura de guerrilheiro
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Fonte: O Globo, 26/01/2005, O Mundo, p. 29
O vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, acusou ontem os Estados Unidos de interferirem na crise de seu país com a Colômbia. Rangel afirmou que os venezuelanos não têm de prestar conta aos americanos. Os EUA, por sua vez, negaram participação numa ação para capturar um terrorista em solo venezuelano
A declaração de Rangel foi uma resposta ao Departamento de Estado americano, que na segunda-feira pedira ao governo de Hugo Chávez que examinasse uma lista enviada por Bogotá sobre terroristas colombianos refugiados no país e que tomasse providências.
¿ O governo dos EUA, em vez de adotar uma atitude discreta, favorável a facilitar um entendimento entre Colômbia e Venezuela, o que fez foi atiçar o fogo do confronto¿ acusou Rangel. ¿ A Venezuela não tem por que prestar contas ao governo dos EUA.
Segundo ele, o país prestará os esclarecimentos pedidos pela Colômbia, mas sem pressões e no momento adequado.
A crise foi deflagrada com a captura de um líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). De acordo com a Venezuela, o governo colombiano subornou militares para prender Rodrigo Granda em seu território, violando sua soberania. O presidente Hugo Chávez afirmou no domingo que o governo colombiano contou com o apoio dos EUA para isso.
¿Essas declarações não têm fundamento¿, dizia uma nota do Departamento de Estado americano, divulgada ontem. ¿Não desempenhamos nenhum papel na captura do terrorista Rodrigo Granda.¿
Medida pode prejudicar minas de carvão colombianas
Em mais um sinal do agravamento da crise, a Venezuela bloqueou ontem exportações colombianas de carvão e suspendeu a venda de energia elétrica para Arauca, região colombiana que tem sido afetada por apagões causados por sabotagens da guerrilha. Segundo um funcionário da alfândega venezuelana, a ordem partiu diretamente de Caracas. As exportações de carvão chegam a 6.200 toneladas diárias e a maior parte tem como destino final os EUA.
¿ A decisão ameaça fechar minas de carvão do departamento (estado) colombiano Norte de Santander ¿ preocupa-se Marceliano Caro, presidente da Associação regional de Carvoeiros.