Título: REFÉM DO MESMO GRUPO RELEMBRA CALVÁRIO NO CATIVEIRO
Autor:
Fonte: O Globo, 26/01/2005, O Mundo, p. 22

Refém do grupo Esquadrões al-Mujahedin (que seqüestrou o engenheiro brasileiro João José Vasconcellos Júnior) durante uma semana, em abril de 2004, a voluntária de ajuda humanitária japonesa Nahoko Takato disse à BBC Brasil que inicialmente os terroristas foram agressivos mas depois a trataram bem, assim como a outros dois reféns japoneses.

¿Fomos levados de carro por homens armados que tentavam nos intimidar. Eles gritavam muito e nos empurravam. Um deles disse que seu filho, um bebê, fora morto pelos americanos. Eles me pareceram ser pessoas que, depois de terem sido vítimas de ataques americanos, resolveram lutar¿, disse Nahoko.

Para ela, o governo brasileiro, a população do país e a família de Vasconcellos deveriam fazer um apelo por sua libertação: ¿O governo deveria vir a público deixar claro que não concorda com a ocupação e que não apoiou a guerra. Já a população deveria fazer manifestações. Se essa mensagem chegar aos seqüestradores, a situação do brasileiro ficará melhor¿, afirmou a ex-refém.

Passaporte ajudaria, proteção de empresa britânica, não

Nahoko disse ainda: ¿A família poderia, por exemplo, gravar um vídeo pedindo a libertação do refém. Os seqüestradores acompanham as notícias e poderiam se sensibilizar com isso.¿

Para Nahoko, apesar de o passaporte brasileiro ser um ponto positivo, o fato de que o engenheiro brasileiro estava sendo protegido por uma empresa de segurança britânica quando foi seqüestrado pode prejudicá-lo.

¿Os britânicos são vistos como inimigos, como responsáveis, junto aos americanos, pela violência e pela ocupação¿, disse.

Nahoko e os outros dois reféns japoneses foram libertados com ajuda da Associação dos Clérigos Muçulmanos do Iraque, contou ela à BBC Brasil.

Ontem, representantes das principais empresas de comunicação da França se reuniram para fazer um apelo pela libertação da jornalista Florence Aubenas e de seu guia iraquiano Hussein Hanoun Al-Saadi, desaparecidos no Iraque desde o último dia 5. O Parlamento Internacional de Escritores anunciou, por sua vez, que lançará amanhã uma campanha com o mesmo objetivo.