Título: Governo envia embaixador a Amã
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Fonte: O Globo, 26/01/2005, O Mundo, p. 22

Depois de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do seqüestro no Iraque do brasileiro João José Vasconcellos Júnior, funcionário da construtora Norberto Odebrecht, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou ontem uma intervenção maior do governo na tentativa de encontrar o engenheiro desaparecido no Iraque. Lula deve telefonar hoje para uma autoridade na região para tratar do assunto. Amorim não revelou quem seria. Além disso, o Itamaraty envia hoje a Amã, na Jordânia, o embaixador especial para Oriente Médio, Afonso Celso Ouro Preto.

O governo anunciou as medidas um dia depois de a família de Vasconcellos cobrar dele mais empenho na solução do caso. Diplomatas brasileiros no Oriente Médio vêm tentando fazer contatos com associações religiosas e organizações árabes que poderiam ter algum canal de comunicação com os extremistas do grupo Esquadrões al-Mujahedin, que assumiu a autoria do seqüestro. Amorim fez ontem um apelo para que o seqüestro tenha um desfecho favorável.

¿ Estamos fazendo um apelo de natureza humanitária e é muito importante que ele seja atendido. Já estávamos fazendo por canais de que dispomos e estávamos procurando abrir outros canais de que não dispúnhamos. Faço um apelo do Brasil, do governo e do povo brasileiro para que o desfecho seja favorável ¿ afirmou.

Segundo o chanceler, o embaixador Ouro Preto tem contatos importantes no Oriente Médio e, se necessário, irá a Bagdá. Os seqüestradores continuaram ontem sem fazer contato.

Família satisfeita com Itamaraty

Isabel, irmã de Vasconcellos, disse ontem em Juiz de Fora (MG) que a família ficou satisfeita por ter sido procurada por um enviado do Itamaraty que explicou o que o governo está fazendo, em conjunto com a Odebrecht, para tratar do caso.

Amorim disse que o fato de o Brasil não ter embaixada no Iraque não prejudica os contatos na tentativa de libertar o brasileiro. Lembrou ainda que o país foi contra a guerra.

¿ Evidentemente, não quero dar a impressão que esses atos se justificariam se o Brasil tivesse tido outra posição. Acho que eles não se justificam. Mas são ainda mais incompreensíveis levando em conta que ele é cidadão de um país que não apoiou a guerra.

A Odebrecht ¿ que acompanha o caso por meio da Janusian Security Risk Management, empresa inglesa responsável por sua segurança no Iraque ¿ disse ontem que trabalha em estreita coordenação com o governo e sem medir esforços.

O presidente da Odebrecht Construction Inc., Luiz Teive Rocha, viajou de Miami a Londres para comandar a tentativa de negociações para libertar Vasconcellos. Principal executivo da construtora na Flórida, ele aguarda contato com os seqüestradores na capital britânica porque ali fica a sede da Janusian. Na sede da Odebrecht na Flórida, o clima é de tensão. Seus cerca de 40 funcionários estão proibidos de dar informações sobre o caso.

¿ Para que nada atrapalhe as negociações, todas as informações sobre o caso estão centralizadas no Itamaraty em Brasília e na Odebrecht do Rio ¿ disse o cônsul do Brasil em Miami, João Almino.

Foi na Flórida que a Odebrecht fechou os contratos para obras no Iraque. Seu site na internet tem uma lista detalhada de sua atuação em 21 países, mas nenhuma referência a seus projetos na região.