Título: Sem medo de crescer
Autor: LUIZ DULCI
Fonte: O Globo, 27/01/2005, Opinião, p. 7

Dois anos depois de fixar o compromisso do governo com um mundo socialmente mais justo, diante dos militantes sociais de todo o planeta, o presidente Lula volta hoje ao Fórum Social Mundial em Porto Alegre. O cenário do encontro com as forças da sociedade é o mesmo e o compromisso, também. Mas o país já é outro. Nesses dois anos, o Brasil avançou, e muito, no crescimento econômico e especialmente no desenvolvimento social, que as estatísticas demonstram e as pesquisas de opinião comprovam.

O Brasil mudou porque a mesma sociedade que depositou a esperança em nosso governo participou, ativamente, do esforço para recuperar a estabilidade, superar a estagnação, desenvolver o país e promover a inclusão social. O crescimento excepcional do PIB, acima dos 5%, veio acompanhado da geração de dois milhões de novos empregos.

A população valoriza a capacidade prática que o governo tem demonstrado de fazer a economia se expandir, superando o dogmatismo estéril do período neoliberal, que opunha o crescimento à estabilidade e cuja conseqüência foi estagnação econômica e agravamento da crise social. A coragem de avançar sem abrir mão da estabilidade já é uma das marcas do governo Lula. O Brasil sabe que não temos medo de crescer.

Mas as pesquisas apontam uma segunda causa para o elevado respaldo popular ao governo: a melhoria do nosso desempenho na área social.

Duas prioridades sociais do presidente Lula são especialmente bem avaliadas ¿- a política de geração de empregos e o combate à fome e à pobreza. E o mais recente relatório Ibope/CNI aponta ¿melhoria expressiva também na aprovação das áreas de saúde e educação¿.

A política de combate à fome e à pobreza tem aprovação até superior à política econômica ¿ com seu vasto consenso ¿ segundo o relatório Sensus/CNT. Para 57%, nessa pesquisa os programas de transferência de renda, cujo carro-chefe é o Bolsa Família com 6,5 milhões de famílias atendidas, ¿ajudam a população carente e contribuem para o desenvolvimento do país¿. Apenas 17% avaliam negativamente o programa. A opinião pública considera a ação social cada vez ¿mais eficaz¿ e, segundo o Ibope, a avaliação do governo melhora ¿em todas as áreas específicas¿.

Permanecem áreas críticas, como a segurança, há falhas que precisam e estão sendo corrigidas, mas as pesquisas captam uma percepção popular que o debate político ainda não retrata com a devida clareza. Geração de empregos e inclusão social deixam de ser, como no passado, algo lateral, compensatório, para se tornar parte estrutural da nova estratégia de desenvolvimento do país. Porque o governo adota medidas práticas para estimular atividades econômicas geradoras de emprego e inclusão: os incentivos à construção civil, a duplicação do financiamento à agricultura familiar, o crédito popular produtivo, a criação dos empréstimos consignados à folha de pagamento, a nova política industrial, o plano de recuperação das estradas, o programa do biodiesel, entre outros.

O Brasil mudou e continuará mudando porque governo e sociedade trabalham em parceria e diálogo permanente. Adotamos o diálogo social como método democrático e republicano, o que constitui outro elemento fundamental no processo de mudanças. Hoje, a sociedade, em sua plena autonomia, participa ativamente da definição de políticas públicas.

O presidente Lula volta a Porto Alegre, portanto, para compartilhar com o fórum avanços e desafios de nossa política de desenvolvimento sustentado, baseada no diálogo democrático e na busca do crescimento em benefício de todos. Volta para dar novo impulso à aliança mundial contra a fome e a pobreza e reafirmar, nos resultados do governo, o compromisso com um mundo melhor, mais democrático e mais justo.