Título: RENAN DEVERÁ TER VITÓRIA TRANQÜILA NO SENADO
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Fonte: O Globo, 30/01/2005, O País, p. 13
Pelo histórico recente do Senado, marcado pela beligerância, chama a atenção o clima pacífico que caracteriza a sucessão na presidência da Casa. Enquanto na Câmara cinco candidatos se enfrentam na campanha mais acirrada desde a redemocratização, a situação no Senado é inversa: o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), deve ser o único candidato na eleição de 14 de fevereiro.
Renan conseguiu o que parecia impossível até novembro passado: ter o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), como principal cabo eleitoral e avalista de sua candidatura junto ao Palácio do Planalto. Até o fim de 2004, Sarney trabalhava nos bastidores para aprovar a reeleição e não escondia seu desagrado com a insistência de Renan em tentar substituí-lo.
A reviravolta ocorreu depois de uma longa conversa entre os dois, no gabinete de Sarney.
¿ Presidente Sarney, passei a noite pensando em como conduzir esta conversa. Mas vou cometer a ousadia de ser espontâneo: gostaria de ser o candidato do partido para a sua sucessão. Mas se isso significa constrangimento para o senhor, não serei candidato ¿ disse Renan.
Renan admite erro e pede desculpas a Sarney
Surpreso, Sarney respondeu que não iria vetar a candidatura de Renan. Revelou, porém, que tinha ficado magoado com a atitude de Renan, que convocou a bancada do PMDB para tirar uma posição contrária à emenda da reeleição. O fato aconteceu em maio do ano passado e ajudou a derrotar a PEC da reeleição na Câmara.
¿ Presidente Sarney, esse foi o maior erro político da minha vida. Quero lhe pedir desculpas! ¿ insistiu Renan, desarmando Sarney.
Aliados e adversários de Renan dizem que ele foi extremamente hábil. Hoje, sua eleição para o Senado é quase uma unanimidade. Ele deverá ter pelo menos 78 de 81 votos. Depois que recebeu a benção de Sarney, foi discreto. Viajou à Bahia, onde pediu apoio do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL). Também pediu pessoalmente o voto do senador tucano Tasso Jereissati (CE). Por fim, recebeu o aval do Planalto.