Título: TRAFICANTES DE CLASSE MÉDIA PRESOS NA BARRA
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Fonte: O Globo, 03/02/2005, Rio, p. 16
Policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) prenderam ontem, na Barra da Tijuca, dois homens de classe média acusados de fornecer ecstasy e haxixe para o bairro e o Recreio dos Bandeirantes. Foram apreendidos 400 comprimidos de ecstasy e 350 gramas de haxixe. A polícia chegou aos dois depois de prender, na terça-feira, um jovem que fumava skank na praia.
Durante três meses, agentes da DRE trabalharam disfarçados de surfistas nas praias da Barra e do Recreio para investigar a quadrilha de tráfico internacional. As drogas foram trazidas para o Brasil em dois carros importados, um Audi A4 e uma Variant, com placa da França. Segundo o delegado Rodrigo Oliveira, os veículos, que foram apreendidos, chegaram ao país em novembro do ano passado. Eles vieram da Espanha e foram importados pelo espanhol Daniel Casado Fuentes, que deu como endereço a Estrada do Pontal, no Recreio, onde fica uma pousada. Os proprietários nunca o viram.
Os carros foram encontrados na garagem do chefe da quadrilha, Alcides Rodrigues de Lima Filho, de 41 anos, no condomínio Barra Bali. No banco da Variant os policiais encontraram um tablete de haxixe. Já o seu cúmplice Sacha Tadeu Lemos do Carmo, de 25 anos, foi preso em frente ao Condomínio Parque das Rosas, também na Barra. Na casa dele estavam escondidos os comprimidos de ecstasy e o resto do haxixe. As drogas foram avaliadas em R$25 mil.
O chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, disse que vai pedir à Receita Federal a relação de importações feitas pelos integrantes da quadrilha, incluindo o espanhol. Num dos carros foi apreendida uma guia de importação que autorizava a circulação dos veículos no Rio por um prazo máximo de 60 dias.
¿ Acreditamos que esse golpe tenha sido tentado outras vezes e vamos pedir à Receita Federal para realizar um levantamento de importações efetuadas por essas pessoas. Queremos saber também se esses veículos já tinham sido trazidos para o Brasil ¿ disse Lins.
Segundo a polícia, foram pagos quase R$9 mil de impostos de importação e R$3,7 mil somente para o transporte dos veículos.