Título: Indústria paulista cresceu 8,5% no ano passado, o melhor resultado desde 94
Autor: Ronaldo D'Ercole
Fonte: O Globo, 04/02/2005, Economia, p. 24

A indústria paulista voltou a crescer em 2004 depois de dois anos de queda na produção. No ano passado, o Indicador do Nível de Atividade (INA), medido pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp, respectivamente), teve alta de 8,5% em relação a 2003. Na avaliação das duas entidades, embora as estatísticas disponíveis não permitam uma comparação precisa, este foi o melhor desempenho da indústria desde 1994.

Devido à reformulação da metodologia de apuração do INA, uma comparação precisa do indicador só é possível a partir de 2002. Naquele ano, a produção da indústria paulista havia encolhido 1,8% em relação a 2001. No ano seguinte, 2003, a retração foi ainda maior: 3,4%.

¿ Tivemos uma conjunção de fatores, nacionais e internacionais, que convergiram positivamente em 2004. Foi um ano bom para o agronegócio, e a queda dos juros até setembro permitiu a retomada de investimentos e o aqueceu o mercado doméstico ¿ disse o diretor do Departamento Econômico do Ciesp, Boris Tabacof.

Puxadas por um aumento de 18,4% das vendas reais ao longo do ano passado, as horas trabalhadas na indústria paulista cresceram 7,6% frente a 2003, enquanto o salário real médio dos operários subiu 7,1%.

INA de dezembro caiu 8,2% frente ao mês anterior

As exportações de produtos industrializados produzidos no estado cresceram 32,3% no ano passado. E o nível de utilização da capacidade instalada subiu de 76,5% em 2003 para 79,7%. Os setores com os índices de utilização de capacidade mais elevados no fim de 2004 eram todos fortes exportadores, caso dos fabricantes de veículos automotores, que atingiu 91,4% de utilização, das indústrias de metalurgia básica, com 88,4%, e da indústria de celulose e papel, com 85,9% de ocupação.

Para o diretor de Economia da Fiesp, Paulo Francini, o bom desempenho da indústria paulista em 2004 passou incólume pela valorização do real frente ao dólar e as sucessivas altas do juros, iniciadas em setembro. As ¿nuvens carregadas dos juros altos e do câmbio ruim¿, entretanto, segundo ele, estão no horizonte e vão afetar a produção da indústria nos próximos meses.

¿ Agora nós sabemos que vai chover, e se as condições atuais de juros e câmbio se mantiverem, as perspectivas (para 2005) não são nada boas ¿ disse Francini.

Os dados divulgados ontem mostram que o INA de dezembro caiu 8,2% na comparação com novembro, embora tenha crescido 8,6% frente a dezembro de 2004.

Desempenho da indústria será menor este ano

Francini estima em 3% a taxa de expansão para os negócios do setor este ano em relação a 2004. O diretor do Ciesp, contudo, não fez projeções para o desempenho da indústria este ano.

¿ Não fazemos previsões numéricas, mas sabemos que os fatores que hoje convergem (juros e câmbio) são diferentes e tendem a esfriar a economia. Não que haverá um comportamento negativo, mas será menor que o de 2004 ¿ disse Tabacof, do Ciesp.

Entre os setores que tiveram bom desempenho em 2004 destacaram-se os de máquinas e equipamentos, com aumento de 27,5% no ritmo de produção em relação a 2003; o de material eletrônico e equipamentos de comunicação, com alta de 39,5%; e o de veículos automotores, cuja produção aumentou 33,7%.