Título: INFLAÇÃO: IGP-DI DE 0,33% EM JANEIRO FOI O MENOR DESDE JULHO DE 2003
Autor:
Fonte: O Globo, 05/02/2005, Economia, p. 22

A forte desaceleração nos preços do atacado derrubou a inflação de janeiro medida pelo Índice Geral de Preços (IGP-DI). A taxa, de 0,33%, ficou abaixo da previsão do mercado e alcançou o menor nível desde julho de 2003 (-0,20%), informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice caiu em relação a dezembro (0,52%) e avançou bem menos do que em janeiro do ano passado (0,80%).

O Índice de Preços por Atacado (IPA) - peso de 60% na taxa geral - subiu 0,08%, muito abaixo do 0,48% de dezembro. A expectativa do mercado era de que o IGP-DI variasse de 0,40% a 0,46%. Segundo especialistas, o dólar mais baixo e o custos menores dos insumos das empresas então entre as razões do recuo do índice.

Custos também encarecem na construção civil

A inflação, porém, subiu para o consumidor e na construção civil, mostrando que os repasses do varejo para o atacado prosseguem. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com 30% de participação no IGP-DI, passou de 0,63% em dezembro para 0,85% em janeiro. Já o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), de 0,51% para 0,75%.

Para os economistas Luiz Roberto Cunha (PUC-Rio) e Ricardo Denadai (LCA Consultores), a desaceleração no atacado reflete a desvalorização cambial e a pressão menor de custos de insumos, como petróleo e aço.

- A forte desaceleração do IGP-DI tem relação direta com o câmbio, que produz mais impactos no atacado. Tanto que os preços de uma série de itens do IPA industrial, como químicos e petroquímicos, e do IPA agrícola, como soja, caíram. Só não foi maior porque produtos in natura, afetados pelo clima, como as chuvas, subiram-- disse Cunha.

Para a FGV, o câmbio ainda tem efeito diluído nos preços. Segundo Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da Fundação, a queda do índice no atacado está mais ligada às matérias-primas brutas, que saíram de alta de 0,35% em dezembro para -0,64% no mês passado. Ele diz que a deflação (queda de preços) desses produtos foi responsáveis por 60% do recuo do IPA. Quadros cita as quedas de preços no atacado de itens agropecuários, como aves(9,75%), bovinos (1,89%) e suínos (7,19%).

Já para o consumidor a inflação foi puxada pelos grupos alimentação - destaque para a alta de 6,63% das hortaliças e legumes - e educação, cuja variação pulou de 0,45% para 2,98%. O motivo foi a correção das mensalidades escolares. Na construção, o grupo ferro, aço e derivados subiu de 0,34% para 1,50%, pressionando o índice.