Título: VENDAS DE VEÍCULOS CAEM ATÉ 40%
Autor:
Fonte: O Globo, 05/02/2005, Economia, p. 22
As vendas de veículos novos no país em janeiro ficaram em 106.643 unidades, o pior desempenho para o mês desde 2000. Na comparação com dezembro passado, houve uma queda de 40,1% e, em relação a janeiro de 2004, de 0,7%. As montadoras minimizaram o resultado, já que historicamente o período é marcado por um desaquecimento do consumo. Mas o setor admite que está preocupado com a combinação de alguns fatores que podem mudar as projeções iniciais para o ano. Os principais são o câmbio defasado e o reajuste dos preços do aço, segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb.
Carnaval cedo também afetou vendas, diz consultor
Para Paulo Garbossa, diretor da consultoria ADK Automotiva, depois das ótimas vendas no fim do ano passado, é natural que os negócios esfriem neste início de ano:
- As fábricas fizeram campanhas agressivas, com muitas promoções e feirões, e o consumidor correu às concessionárias. Os estoques diminuíram, e as promoções também.
O consultor sustenta que a General Motors (que caiu de primeiro para quarto lugar em janeiro) está-se recuperando de um acelerado fim de ano.
- Eles venderam tudo o que podiam vender, terminaram 2004 em primeiro lugar e decretaram férias coletivas. Agora têm 11 meses para se recuperar - diz Garbossa, citando como outro fator para a queda nas vendas o carnaval ter caído no início de fevereiro este ano.
Ainda assim, as montadoras esperam vender 1,64 milhão de unidades este ano no mercado interno, o que significaria um aumento de 4%. É pouco se comparado à variação de 10,5% no volume de vendas no ano passado. Golfarb afirmou que o maior temor neste momento é de um possível novo reajuste do preço do aço.
Os produtores de minério de ferro falam em reajustar seu produto entre 50% e 90%, o que provocaria o aumento do aço. Há três anos, o aço respondia por 15% do custo total de produção de um carro no país. Hoje, esse percentual chega a 33%.
- Aumentos dessa magnitude são incompatíveis com a renda do trabalhador brasileiro - disse o presidente da Anfavea, que, com outras entidades, pediu ajuda ao governo para resolver o impasse.
Estimativa de alta da exportação foi reduzida a 7%
A forte valorização do real é outra preocupação do setor, que reduziu drasticamente suas estimativa para o aumento das exportações. Depois de crescer 51,8% no ano passado, o volume de embarques para o exterior deve somar até dezembro US$8,9 bilhões, apenas 7% a mais do que em 2004. Golfarb explicou que 87% dos contratos são cotados em dólar.
Em janeiro, segundo a Anfavea, as montadoras exportaram 43.700 unidades, equivalente a um faturamento de US$637,1 milhões - contra US$777,6 milhões em dezembro (menos 18,1%) e US$474,2 milhões em janeiro de 2004 (aumento de 34,4%). Foram produzidas 160.888 unidades, 14,9% a menos que em dezembro (188.970), mas 3,1% acima de janeiro de 2004 (156.057). A Anfavea espera fechar o ano com aumento de 5,4% na produção (para 2,3 milhões de carros), contra alta de 20,7% em 2004.