Título: JORNALISTA ITALIANA SEQÜESTRADA EM BAGDÁ
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Fonte: O Globo, 05/02/2005, O Mundo, p. 27
Uma jornalista italiana foi seqüestrada ontem em Bagdá, na primeira ação deste tipo desde as eleições iraquianas, no dia 30. Giuliana Sgrena, do jornal "Il Manifesto", chegava ao bairro universitário quando foi capturada. O grupo Organização para a Jihad Islâmica reivindicou a autoria e deu um ultimato à Itália:
"Damos ao governo da Itália 72 horas para sair do Iraque, ou os esquadrões terão outro assunto para falar nos próximos dias", dizia o comunicado. Em setembro, uma organização de mesmo nome reclamou a autoria do seqüestro de duas italianas, mais tarde libertadas por outro grupo.
Franceses presos em meio a combatentes rebeldes
Oito homens armados interceptaram o carro de Giuliana e a levaram. Os guardas da Universidade de Bagdá ainda dispararam, mas não conseguiram impedir o seqüestro. Ela fora à região entrevistar refugiados de Faluja, e as autoridades não descartam o envolvimento de um deles no crime.
O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, anunciou que o país já estava negociando a libertação da jornalista:
- A máquina de negociação já foi ativada - disse.
Giuliana foi ao Iraque cobrir as eleições, em que milhões de iraquianos desafiaram rebeldes ao votar. O seqüestro demonstra como o país continua violento, apesar da presença de 170 mil soldados estrangeiros, além de 130 mil integrantes das forças iraquianas. A jornalista Barbara Schiavulli conversava com Giuliana por telefone quando o seqüestro ocorreu:
- Ela me ligou quando a estavam levando. Ouvi os tiros e comecei a gritar: "Giuliana, Giuliana." Mas ela não respondeu.
Os resultados das eleições começam a surgir vagarosamente. Até o momento, a Coalizão Iraquiana Unida, xiita, tem dois terços dos votos apurados, com o partido do primeiro-ministro Iyad Allawi em segundo, mas os resultados são parciais.
Em outro episódio violento, o Exército de Ansar al-Sunna reivindicou uma emboscada ontem, afirmando ter matado 29 pessoas em Bagdá. "Os leões de Deus fizeram uma armadilha para um comboio da Guarda Nacional", dizia o comunicado.
E fontes militares americanas confirmaram ontem ter prendido três franceses combatendo ao lado de rebeldes, em novembro. A notícia fora divulgada pelo jornal "Le Figaro".
Rumsfeld diz que Bush não aceitou pedido de demissão
Nos EUA, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, revelou ontem que chegou a apresentar sua demissão ao presidente George W. Bush duas vezes, durante o escândalo de tortura de prisioneiros em Abu Ghraib, mas que o pedido foi recusado.
- Ele disse que queria que eu ficasse - disse Rumsfeld à CNN.