Título: LULA QUER TIRAR VIÉS ASSISTENCIALISTA DE PROGRAMAS COMO O BOLSA FAMÍLIA
Autor:
Fonte: O Globo, 08/02/2005, O País, p. 4

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer adotar medidas que retirem o caráter assistencialista de programas sociais como o Bolsa Família e o Fome Zero. A idéia, segundo integrantes do governo, é intensificar programas adicionais, como os de geração de empregos e erradicação do analfabetismo, para que as famílias possam no futuro deixar de depender do benefício do governo. A maior crítica da oposição aos programas sociais do governo Lula é justamente a de que foi acentuada a prática assistencialista.

Orientados pelo presidente, os ministros trabalham em duas direções: melhorar a fiscalização e o acompanhamento dos programas e criar políticas adicionais. O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, confirma que uma das preocupações do governo no momento é ampliar as oportunidades econômicas para as famílias mais pobres.

- O Bolsa Família é a porta de entrada das famílias. Temos que ter as portas de saída, como programas de geração de emprego. Temos que abrir novas chances de trabalho para essas famílias - afirma Patrus.

Ações integradas nas áreas de saúde e reforma agrária

O assessor especial do presidente Lula para o Fome Zero, Selvino Heck, afirma que é crescente a orientação interna do governo para que todos trabalhem no sentido de criar as chamadas políticas estruturantes. Para Heck, é necessário haver mais troca de informações entre os ministérios envolvidos com programas sociais. Isso vem sendo discutido entre os responsáveis pelo Fome Zero e os ministérios do Desenvolvimento Social, da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Agrário, por exemplo.

Além de geração de emprego e erradicação do analfabetismo, são consideradas políticas estruturantes ações integradas nas áreas de saúde, reforma agrária, cooperativismo, microcrédito e fortalecimento da agricultura familiar.

Em recente reunião com ministros da área social e assessores, Lula disse que estava contente com a abrangência do Bolsa Família - que chegou a 6,5 milhões de famílias em 2004 e tem como meta em 2005 atingir 8,7 milhões - mas que ficaria mais feliz no dia em que as pessoas não precisassem mais da ajuda do governo. Fez recentemente a mesma declaração em discursos.