Título: ARGENTINA: TAXA DE ADESÃO À PROPOSTA DE RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA É DE 42,3%
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Fonte: O Globo, 09/02/2005, Economia, p. 15
A taxa de adesão à proposta de renegociação da dívida pública da Argentina atingiu, nas primeiras três semanas de operações, 42,35%. A informação foi divulgada ontem pelo Ministério da Economia do país, com base em dados processados pelo Bank of New York, uma das principais instituições financeiras envolvidas na reestruturação da dívida argentina.
Na véspera, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, afirmara que mais de 35% dos credores do país já haviam aderido à oferta argentina, que prevê reduzir uma dívida de US$81,8 bilhões para entre US$35 bilhões e US$41 bilhões.
Lavagna: mais de 50% da dívida estão normais
De acordo com o Bank of New York, já foram renegociados US$34,65 bilhões.
- Se somarmos papéis de credores que já aceitaram a proposta e bônus argentinos que não foram prejudicados pelo calote, mais de 50% da dívida argentina estão em condições normais, ou seja, estão sendo honrados - afirmou Lavagna, em entrevista a um programa de TV local.
O otimismo do governo Kirchner contrasta com a irritação dos credores estrangeiros, sobretudo os italianos, que detêm 15% do total da dívida a ser renegociada. Ontem, grupos de investidores da Itália questionaram os números divulgados pelo governo argentino e redobraram suas críticas ao projeto de lei enviado ao Congresso argentino semana passada, que proíbe a reabertura da operação.
O polêmico projeto deve ser votado hoje pela Câmara.
- A Argentina está violando acordos internacionais e o direito dos credores italianos _ assegurou Nicola Stock, um dos líderes do Comitê Global de Credores, que reúne investidores de vários países.
Taxa de adesão não chegará a 80%, dizem italianos
O grupo enviou uma carta às principais instituições políticas e econômicas da Itália para exigir que a operação de renegociação seja suspensa.
- Em outras renegociações as taxas de adesão oscilaram entre 92% e 99%. No caso da Argentina, não chegará a 80%, percentagem que deixa de fora 20% dos credores do país, o que representa entre US$16 bilhões e US$17 bilhões - disse o representante dos italianos.