Título: FMI ELOGIA BRASIL, MAS COBRA REDUÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA E RESERVAS MAIORES
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Fonte: O Globo, 12/02/2005, Economia, p. 24

O Brasil fez um grande progresso em relação à sua política econômica, produzindo "uma transformação fora do comum" nos últimos dois anos. No entanto, há duas tarefas que ainda exigem um esforço maior do país, para acabar de vez com as suas vulnerabilidades em relação a uma súbita crise financeira internacional: reduzir a dívida pública e aumentar um pouco mais as suas reservas.

A avaliação e o alerta foram feitos ontem, publicamente, pela vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger. A situação do Brasil ocupou uma longa parte do discurso que ela fez no Instituto para Pesquisas de Política Econômica, da Universidade de Stanford, na Califórnia.

Previsão de Krueger é de que economia cresça 5,1%

O tema era amplo: "Quão estável está a economia global?". E Krueger mencionou o Brasil e a Turquia como casos exemplares, dizendo que "esses países ilustravam tanto o progresso já alcançado quanto os desafios que permanecem". Falando especificamente sobre a situação brasileira, previu um crescimento de 3,7% para a economia do país este ano, e uma inflação de 5,1%.

Krueger afirmou que em nenhum outro lugar do mundo - a não ser no Brasil e na Turquia - se destacaram tanto os benefícios proporcionados pela redução da inflação. E disse que o fortalecimento da política fiscal foi "a pedra fundamental" da estrutura macroeconômica.

'Muito foi alcançado. Mas há um caminho pela frente'

Em seguida, a economista advertiu que a dívida pública brasileira (R$957 bilhões em dezembro de 2004) permanece "relativamente alta":

- Como porcentagem do PIB (51,8%) ainda há um caminho considerável a percorrer antes que a dívida chegue ao nível de meados dos anos 90 - alertou Krueger, referindo-se à uma época (1995) em que o débito era equivalente a 30,5% do Produto Interno Bruto brasileiro.

Ela disse que o nível das reservas vem melhorando desde 2001, mas advertiu que "elas precisam crescer mais". Krueger lembrou que as incertezas criadas pela eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "criaram preocupações sobre a sustentabilidade da grande dívida pública do Brasil", e que os mercados ficaram nervosos, duvidando que o novo governo manteria políticas econômicas sólidas, mas que eles acabaram sendo surpreendidos:

- As políticas econômicas, apoiadas pelo Fundo, com as reformas estruturais que vinham sendo realizadas, provocaram uma transformação fora do comum no destino econômico do Brasil.

Ao concluir, ela acrescentou que "o programa brasileiro continua nos trilhos", mas que todo cuidado é pouco:

- Em outras palavras: muito já foi alcançado pelo Brasil. Já podemos ver as recompensas de uma sólida estrutura macroeconômica em termos de crescimento e de redução da pobreza. Mas ainda há um caminho pela frente.