Título: ESQUERDA PETISTA TEM POUCAS ALTERNATIVAS
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Fonte: O Globo, 14/02/2005, O País, p. 4
A esquerda petista não tem muitas alternativas a não ser espernear no processo de eleições diretas dos dirigentes do partido, no segundo semestre. Sem força para mudar os rumos do partido e sem disposição de largar uma sigla de apelo popular que ajudaram a construir, seus integrantes reconhecem que lhes resta pouco a fazer que não seja a resistência e o voto dissidente em votações no Congresso.
¿ Não é fácil criar uma alternativa ao PT. As tentativas mostram isso. O povo demora a se identificar com símbolos políticos. Estamos articulando um movimento de resistência dentro do partido ¿ diz o deputado Chico Alencar (PT-RJ).
Um grupo de militantes das tendências Articulação de Esquerda e da Democracia Socialista decidiu, no Fórum Social Mundial, que será contra as teses do governo Lula que contrariam o programa e as propostas históricas do PT. Essa articulação quer tornar mais freqüentes as manifestações de dissidência como as que ocorreram nas votações da medida provisória que deu status de ministro ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e da reforma da Previdência.
A tática pode perder eficácia se mais militantes, como os que assinaram o ¿Manifesto da Ruptura¿, tendo a frente o economista Plínio de Arruda Sampaio Junior, saírem do partido.
As tendências de esquerda vão tentar lançar um ou mais candidatos para a presidência do PT contra o candidato do Campo Majoritário, provavelmente o atual presidente, José Genoino. Querem também uma maior aproximação com os movimentos sociais para pressionar os moderados, mas reconhecem que os comandantes do partido fizeram forte campanha de filiação e que contarão com o apoio dos que foram nomeados para cargos administrativos.