Título: XIITAS VENCEM ELEIÇÃO MAS NÃO TÊM MAIORIA
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Fonte: O Globo, 14/02/2005, O Mundo, p. 19
Uma coalizão de partidos xiitas venceu as eleições no Iraque, confirmando o segmento como a mais importante força política no país depois da derrocada de Saddam Hussein. Durante o regime do ditador, um sunita, a maioria xiita sofreu forte opressão.
A Comissão Eleitoral anunciou ontem os resultados finais das eleições de 30 de janeiro. A Aliança Iraque Unido teve 47,6% dos votos. Uma coalizão dos dois principais partidos curdos obteve 25,4% da preferência dos eleitores, enquanto um terceiro bloco, liderado pelo primeiro-ministro interino Iyad Allawi, um xiita secular, cravou 13,6%. Os números, no entanto, ainda estão sujeitos a mudanças, uma vez que os partidos têm três dias para apresentar possíveis reclamações.
Embora tenha obtido uma votação expressiva, a Aliança Iraque Unido, apoiada pelo aiatolá Ali al-Sistani, um dos mais influentes líderes religiosos do país, não conseguiu maioria no Parlamento e precisará fazer alianças para eleger o novo presidente.
A aliança insiste em apontar o primeiro-ministro. Os curdos, por sua vez, querem ver um de seus representantes no cargo de primeiro-ministro ou de presidente. Mas o premier interino, que esteve com os curdos no sábado, pode também tentar formar alianças. A possibilidade de ele conseguir se manter no cargo, de acordo com analistas políticos, não está descartada.
A Assembléia Nacional é formada por 275 membros, que escolherão um presidente e dois vices por maioria de dois terços dos votos. As três autoridades deverão então apontar um primeiro-ministro e um Gabinete, cujos nomes deverão submetidos à assembléia.
Poucos árabes sunitas participaram das eleições. De acordo com a Comissão Eleitoral, na mais importante província sunita, Salahadin, apenas 29% votaram. Isso significa que a minoria que tradicionalmente governou o Iraque terá pouquíssimos assentos no Parlamento e quase nenhuma influência política. A situação pode insuflar ainda mais os grupos insurgentes, comandados em sua maioria por sunitas que querem a retirada das tropas americanas do país e a derrubada do regime apoiado pelos EUA.
¿ A imagem do Iraque que esses resutados sugerem não é real. Isso é óbvio ¿ criticou o veterano político sunita Adnan Pachachi.
No total, 58% dos eleitores registrados foram às urnas.