Título: EFEITO SEVERINO LEVA NERVOSISMO AO MERCADO E RISCO-BRASIL SOBE 1%
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 16/02/2005, Economia, p. 24

A derrota do PT na votação para a presidência da Câmara dos Deputados levou nervosismo ontem ao mercado financeiro. Pela manhã, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a cair 1,2% e a taxa do risco-Brasil - que mede a confiança dos investidores estrangeiros no país - subiu até 2% com a vitória do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). A avaliação do mercado é que, com isso, o PT pode enfrentar uma crise política e ter dificuldade para aprovar projetos importantes para o governo na Câmara - o chamado efeito Severino. No fim do dia, porém, os indicadores recuperaram parte das perdas: a Bolsa fechou em alta de 0,29% e o risco subiu 1%, para 406 pontos centesimais.

O Global 40, título da dívida externa brasileira mais negociado no mercado internacional, caiu 0,47%, para 117,4% do valor de face. O C-Bond, outro papel bastante negociado, também recuou: 0,48%, para 102,75% do valor de face.

- Foi uma perda do governo, com a qual ninguém contava. Não fosse a forte entrada de estrangeiros nos negócios, a Bolsa teria fechado em queda. Durante todo o dia foi assim: os brasileiros vendiam e os estrangeiros compravam ações - diz Gustavo Alcântara, gestor da Mercatto Gestão de Recursos.

Ações de bancos têm maior alta da Bolsa

O saldo de aplicações externas na Bolsa mostra o poder de fogo desse investidor: em fevereiro, até o dia 10, o balanço do investimento estrangeiro está positivo em R$1,056 bilhão, o maior nos primeiros dez dias de um mês desde abril de 2001 (R$1,333 bilhão).

- Os papéis que mais subiram nos últimos dias são Telemar, Petrobras e Caemi e também o setor bancário, ações tradicionalmente procuradas pelos estrangeiros - afirma Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora Senior.

Ontem não foi diferente. As ações de bancos estavam entre as maiores altas do dia, diante da expectativa de alta dos juros básicos (taxa Selic) na reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom): os papéis do Banco do Brasil com direito a voto (ONs) foram os que mais subiram na Bolsa, com ganhos de 5,97%. Já as ações preferenciais do Bradesco (com prioridade no recebimento de dividendos) subiram 1,53%.

Pesquisa da consultoria Economática mostra que as ações de bancos foram as que mais subiram em 2005 em nove países: Brasil, EUA, Espanha, México, Venezuela, Colômbia, Peru, Argentina e Chile. Pela análise, que considerou papéis com volume médio diário no ano superior a US$100 mil, as ações do Bradesco são as mais rentáveis: as ordinárias subiram 26,4% e as preferenciais, 25,96%.