Título: ELEVAÇÃO DA SELIC DEVE PARAR NO PRÓXIMO MÊS
Autor:
Fonte: O Globo, 20/02/2005, Economia, p. 35

A alta de juros pára em março. Essa é a opinião de dois especialistas em inflação, Carlos Thadeu de Freitas Gomes Filho, do Grupo de Conjuntura da UFRJ, e Eduardo Velho, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O câmbio apreciado e as próprias projeções do Banco Central, que já indicam uma inflação para 2005 próxima da meta são os motivos apontados pelos economistas para chegar a essa conclusão. Na avaliação dos analistas, haverá somente mais uma alta de 0,25% em março. A única variável que ainda pode manter a trajetória de elevação dos juros está no nível de atividade.

Os números da produção industrial não mostraram o recuo na atividade esperado depois da subida dos juros. A produção cresceu 8,3% no ano passado, no melhor desempenho em 18 anos. E até em dezembro frente a novembro, houve alta de 0,6%. Isso indica que a atividade não está retrocedendo como se esperava depois do mais longo ciclo de alta da taxa básica de juros.

¿ Acredito que o BC vai manter sua política, observada nos últimos três anos, de afirmar que está perseguindo a meta central (para este ano de 5,1%) e, na verdade, afrouxar a política monetária no segundo semestre, ficando dentro do intervalo superior da meta (7%) ¿ diz Carlos Thadeu.

Juro alto indica risco maior, diz economista

Para Eduardo Velho, essa subida dos juros vai acabar impulsionando os investimentos. No raciocínio do economista, a informação de que os juros estão altos hoje é entendido como queda da inflação no futuro. E isso leva ao recuo das taxas num prazo de um a dois anos:

¿ É esse o tempo de maturação do investimento. O que é preciso é aumentar a capacidade da economia expandir. A diferença entre o espaço que o país tem para crescer e o aumento do PIB verificado está encurtando ¿ afirma.

Para Carlos Thadeu, o BC tem que calibrar bem a subida dos juros, sob pena de expulsar o capital externo:

¿ Juro alto indica risco no país ¿ afirma.