Título: FREQÜÊNCIA ESCOLAR NA INFÂNCIA É QUASE TOTAL
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Fonte: O Globo, 20/02/2005, Economia, p. 38

Freqüência escolar registrando os melhores indicadores: acima da média nacional e empatada com o Sudeste, que concentra as taxas mais altas do país. Nas oito comunidades do Caju, 77% dos jovens entre 10 e 21 anos estão na escola. O percentual é maior ainda quando se observa a faixa entre 10 e 14 anos: 96% das meninas e 98% dos meninos. Até na adolescência, quando a freqüência costuma despencar, o desempenho da região é superior ao do país:

¿ Essa notícia é espetacular. Uma comunidade de baixa renda apresentar esses indicadores ¿ afirma Sérgio Besserman, diretor do Instituto Pereira Passos e ex-presidente do IBGE.

80% dos que abandonaram a escola gostariam de voltar

Mas os percentuais que ficam acima da média param por aí. Na faixa de 18 a 21 anos, a comunidade perde, segundo Besserman, indicando que a pressão para entrar no mercado de trabalho fica maior nas favelas. E a defasagem assola os jovens do Caju: 36% na faixa entre 18 e 21 anos e 65% dos que estão entre 15 e 17 anos e não concluíram o ensino fundamental. É o caso de Karina Souza Silva, de 15 anos que está cursando a 7ª série do ensino fundamental. Repetiu um ano e a gravidez de Thiago a fez largar a escola por mais um ano. Agora, ela quer conciliar o trabalho com a escola:

¿ Já fiz cursos de informática, de inglês, de telemarketing. Estou esperando me chamarem ¿ diz Karina, afirmando que a evasão é comum ¿ A turma começa com 40 pessoas e termina com menos de dez. A escola precisava atrair mais os alunos.

Quem abandona gostaria de voltar, diz a pesquisa: 80% dos que estão fora da escola declararam esse desejo:

¿ Os que estão entre 15 e 17 anos exigem mais cuidado. Um terço declarou que não queria retornar às salas de aula ¿ afirma Adriana Fontes, coordenadora da pesquisa.

E agora, a Associação de Moradores da Ladeira dos Funcionários, a Firjan e empresas abrirão um curso pré-vestibular com cem vagas dentro de uma área da Aeronáutica:

¿ Precisamos também de mais uma escola de ensino médio. Só temos uma aqui ¿ reclama Paulo César Gomes, presidente da associação de moradores.